MP vai apresentar denúncia contra suspeito de atacar casal

Promotoria não descarta, porém, pedir novas investigações sobre o caso; jovem reconheceu suspeito

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2009 | 18h10

O Ministério Público do Paraná vai apresentar denúncia contra Juarez Ferreira Pinto, de 32 anos, apontado como principal suspeito de ter matado o estudante Osíris Del Corso, de 22 anos, e ferido e molestado sexualmente sua namorada Monique Lima, de 23 anos, em uma trilha do Morro do Boi, em Matinhos, no litoral do Paraná. A promotora de Justiça Carolina Dias Aidar de Oliveira informou, por meio da assessoria de imprensa, que a denúncia será apresentada até segunda-feira.   Veja também: Jovem baleada no litoral do PR tem alta do hospital Delegado diz que jovem do Paraná não foi estuprada Defesa diz que suspeito de atacar casal no Paraná é debilitado Acusado de atacar casal em trilha é transferido para Curitiba   A promotora disse ter acompanhado várias partes do inquérito, inclusive depoimentos do acusado e o reconhecimento por parte da vítima. Ela não descartou, no entanto, pedir novas diligências. No inquérito, a polícia indiciou o acusado por homicídio, latrocínio tentado e atentado violento ao pudor. Na tarde desta quinta-feira, 26, a polícia divulgou o vídeo em que a jovem reconhece o suspeito como sendo o autor do crime. Deitada em uma maca, no hospital, separada por um vidro, ela chora e coloca o lençol sobre o rosto.   O delegado que coordena a investigação do caso, Luiz Alberto Cartaxo de Moura, salientou que uma das provas apresentadas para inocentar o suspeito foi adulterada. O álibi era de que ele estaria trabalhando no dia do crime a mais de 20 quilômetros de distância. O delegado mostrou cópias de um caderno de anotações com as datas rasuradas, dando a entender que ele trabalhou naquele dia. Segundo ele, a responsável por essa contabilidade pode responder por falsificação de documentos.   Para o advogado de defesa do acusado, Nilton Ribeiro, a polícia deveria chamar todas as pessoas cujos nomes constam do caderno para depor. "Tem que ver em que dia elas compareceram", afirmou. O delegado disse também que não há nenhum documento que afirme que o acusado não poderia subir o Morro do Boi, no município de Matinhos, onde o crime foi executado. A defesa alega que as condições de saúde dele não permitiriam esse esforço. "Por que não pediram provas periciais?" questionou Ribeiro. "Respeito o trabalho dos delegados, mas estão equivocados, eu não sei por que querem fazer de afogadilho."   O delegado acentuou, ainda, que a moça estava sem sensibilidade em toda a parte inferior do corpo em razão do tiro que levou na medula, quando o acusado a teria molestado sexualmente, sem antes tapar o rosto dela com um chapéu. "Ela tem certeza de que não foi estuprada porque ele não projetou o corpo sobre ela", disse Moura. "Ela imagina que foi manipulada e a presença de uma calcinha rompida é uma prova", destacou o delegado. O advogado questionou essa versão, visto que, no inquérito, a moça teria dado certeza de que foi estuprada. Para o delegado, ela não tinha sensação nenhuma do que acontecia e acabou se equivocando.

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