MP vai intimar ex-assessor de Zé Bruno

Cremonesi é apontado por várias testemunhas como elo entre o ex-deputado e prefeitos no emendoduto na Assembleia paulista

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h00

O Ministério Público Estadual vai intimar um personagem emblemático do suposto esquema de venda de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo - Eunildo Cremonesi Júnior, ex-assessor parlamentar.

Cremonesi, que seria ligado ao PTB, trabalhou no gabinete do ex-deputado José Antonio Bruno (DEM), o Zé Bruno, entre 2007 e março passado. Ele é apontado como elo de Zé Bruno com prefeitos do interior paulista e com outro político citado no episódio, Fabrício Menezes Marcolino, ex-vereador no município de Nhandeara (SP).

O próprio Zé Bruno lança suspeitas sobre Cremonesi. "Eu descobri que ele estava fazendo isso, ele estava vendendo emendas", declarou o ex-deputado, que exonerou o ex-assessor em 2010. "Eu o exonerei pelo fato de ter desconfiança de que fazia e negociava emendas e isso ia acabar comigo."

Desde que estourou o escândalo do mercado das emendas no Legislativo estadual, Cremonesi anda sumido. Seu nome é indicado em depoimentos oficiais, colhidos pela Corregedoria-Geral da Administração (CGA), órgão diretamente ligado ao governador.

Zé Bruno, hoje guitarrista da Resgate, sua banda, disse que Cremonesi havia trabalhado cerca de 12 anos para o PTB. Um dos endereços que o ex-assessor parlamentar costuma passar é Avenida Nove de Julho, na capital, mesmo prédio onde fica o diretório do PTB.

Desconhecido. Também constam registros de que ele possui duas empresas - uma de peças para impressora com início de atividade em maio de 1993 e outra de videolocadora e comercial. No diretório do PTB a informação é que ali "não trabalha nenhum Cremonesi". Na Assembleia, assessores do PTB dizem que não sabem quem é Cremonesi. Ele não foi localizado para falar sobre o caso.

O Ministério Público vai solicitar cópias dos documentos que fazem parte da investigação da Corregedoria-Geral da Administração. A meta é chamar todas as testemunhas que já prestaram depoimento e os personagens por elas apontados - Cremonesi é citado em diversas passagens da apuração.

Zé Bruno, que ainda não foi ouvido, teria recebido valores em dinheiro no exercício do mandato. Dois ex-assessores dele relataram que o dinheiro foi levado por Fabrício e por uma prefeita. As cédulas teriam sido entregues em envelopes ou presas em elástico. Zé Bruno nega categoricamente ter recebido comissão por emendas. "Sou um homem honesto."

O ex-deputado admite que Fabrício esteve várias vezes em seu gabinete, "sempre com os prefeitos". Zé Bruno diz que "imaginou que ele (Fabrício) era o cara que fazia o lobby com o Cremonesi". "De repente os dois tinham algum esquema." Fabrício rechaça a suspeita. "Não participei de nenhum esquema, apenas sou amigo de todo mundo."

Comissões. Uma testemunha afirmou que Cremonesi participava de reuniões com prefeitos, "tanto dentro do gabinete (de Zé Bruno) como as realizadas nas prefeituras". Segundo a testemunha, "pelos comentários correntes o objetivo dessas reuniões era obter comissões para liberação das emendas".

Zé Bruno disse que não mantém contato com Cremonesi desde que o exonerou. "Na época ele brigou comigo", diz o ex-deputado. "Nem todas (as emendas) eram pagas. Não era uma coisa que fazia diretamente, quem atendia era a minha chefia de gabinete. Em alguns casos o Cremonesi atendia, por sugestão do Fabrício. Ele pedia para eu destinar o valor. Indicações a gente pode fazer quantas quiser."

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