MP vai recorrer contra decisão sobre crime na Providência

Três soldados do grupo de 11 acusados de envolvimento na morte dos jovens foram libertados na última semana

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2008 | 18h19

O Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer contra a decisão da Justiça Federal que libertou na semana passada três soldados envolvidos na morte dos três jovens do Morro da Providência. As vítimas foram torturadas e assassinadas após serem entregues por uma guarnição de 11 militares a traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi, zona norte do Rio, em julho deste ano. Como a Justiça já havia revogado as prisões de outros cinco militares, agora apenas três dos 11 acusados permanecem presos.   "Ao contrário dos outros libertados, os três militares que foram soltos tiveram participação direta no crime, pois eles desceram do caminhão e também entregaram os jovens aos traficantes", disse ontem a advogada Kátia Tavares, que atua como assistente da promotoria do MPF. Foram libertados os soldados Julio Almeida Ré, Rafael Cunha Costa Sá e Sidney de Barros.   Em sua decisão, o juiz Erik Navarro Wolkart, da 7ª Vara Federal Criminal, afirma que, de acordo com os depoimentos, os acusados não tiveram participação direta na entrega dos jovens, pois "mantiveram-se afastados, junto ao veículo" e livres não representam uma ameaça às testemunhas.   Comandante da guarnição e apontado como o mentor da entrega dos jovens aos criminosos, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade permanece preso junto com o sargento Leandro Maia e o soldado Fabiano Elói dos Santos. O juiz indeferiu a revogação da prisão do tenente "em razão do seu poder de comando e conseqüente domínio do fato" e também manteve Maia e Santos presos por entender que ambos tiveram uma "atuação mais insinuante e ligada diretamente à conduta de Vinícius". Os acusados estão na carceragem do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca.   Indenização   Na tarde desta terça-feira, 9, representantes da Advocacia-Geral da União e o presidente do Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos, o advogado João Tancredo, que representa os familiares dos três jovens mortos, se reúnem para tentar um acordo sobre a indenização. De acordo com Tancredo, mesmo sem um valor definido, a AGU contestou o direito à indenização cujo valor estimado seria de 2 mil salários mínimos para cada parente. "Não sugerimos um valor, mas indicamos um critério baseado na indenização às vítimas do regime militar", afirmou o advogado.

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