MP vai recorrer da absolvição de PM no caso João Roberto

PM foi absolvido da acusação de homicídio doloso e condenado a 7 meses por lesão corporal à mãe do menino

Da Redação, com informações da Agência Brasil,

11 de dezembro de 2008 | 09h43

O Ministério Público do Rio de Janeiro vai recorrer da decisão judicial que absolveu o policial militar William de Paula, acusado de matar o menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos. O PM foi absolvido da acusação de homicídio culposo - pela morte do menino -, mas foi condenado a 7 meses e prestação de serviços por lesão corporal leve à mãe do garoto. A decisão foi tomada pelo júri popular e anunciada pelo juiz Paulo Baldez, que presidia o julgamento no 2º Tribunal do Júri da capital. João Roberto foi baleado durante uma perseguição policial em julho deste ano.   Veja também: PM é absolvido no caso João Roberto Todas as notícias sobre o caso     Durante o julgamento, o PM reconheceu que confundiu o carro da mãe da criança, Alessandra Amorim, com o veículo em que estavam três criminosos que perseguia na Tijuca. Alessandra e os dois filhos, João Roberto e Vinicius, que tinha 9 meses, estavam em um Palio prata e os homens em um Stilo preto. O garoto foi atingido por um tiro na cabeça. Apesar de reconhecer a confusão dos veículos, o PM disse acreditar que o tiro fatal tenha partido dos bandidos.   A família do garoto protestou na saída do julgamento e afirmou que vai recorrer. Alessandra Soares disse que estava "chocada" com a absolvição. O outro policial envolvido no caso, Elias Gonçalves, está preso, mas entrou com recurso e seu julgamento ainda não foi marcado. O promotor de Justiça do caso é Paulo Rangel e os advogados Nilo Batista e João Tancredo foram assistentes de acusação. A defesa do réu foi feita pelo advogado José Maurício Neville.   Ao se aproximar do veículo, o PM fez três disparos - um de um de advertência, outro que atingiu um carro parado na rua, e um terceiro, que furou o pneu do carro da vítima. "Infelizmente, eu passei a acreditar que era o carro dos meliantes. No meu inconsciente, era o Fiat Stillo de cor escura", disse ao juiz.   De Paula disse que não percebeu que a bolsa que Alessandra havia jogado para fora do carro, a fim de alertar os policiais de que havia crianças no veículo, era uma sacola de bebê. Ele lamentou o ocorrido e disse que ficou traumatizado. Ao juiz, disse que a cena foi tão chocante que não teve condições de retirar João Roberto do carro.   O policial, que está há 11 anos na corporação, contou que não passa por curso de reciclagem há três anos. Ele também nunca cursou técnicas de abordagem. Disse apenas que recebeu instruções sobre como abordar carro e perseguir automóvel em fuga. "Infelizmente, naquele momento ali era o meio que eu pude usar", comentou.   Indenização   Em setembro, a família do menino ganhou na Justiça o direito de receber indenização para tratamento médico, bem como pensão por seis meses do Estado. Paulo Roberto Soares, pai de João Roberto, deve receber R$ 4.150 por mês e familiares receberão R$ 1.245. Após a decisão, o Estado do Rio chegou a recorrer, mas o governador Sérgio Cabral determinou que os procuradores não apresentassem mais nenhum recurso.   A juíza da 4ª Vara de Fazenda Pública, Cristiana Aparecida de Souza Santos, quer que o Estado pague dez salários mínimos - cerca de R$ 4.150 - ao taxista Paulo Roberto Soares, pai de João Roberto, e custeie tratamento psiquiátrico no valor de três salários mínimos - R$ 1.245 - aos pais, avós e irmão mais novo de João, Vinícius, de 1 ano. var keywords = "";   (Colaborou Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo)

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