MP vai rever procedimentos de segurança de promotores no Rio

Procurador informou que medida pode ser tomada após PM, segurança de promotora, matar jovem em boate

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2008 | 18h53

O procurador-geral do Rio, Marfan Vieira, disse nesta segunda-feira, 30, que o Ministério Público Estadual vai rever os procedimentos de segurança de promotores, depois de o soldado PM Marcos Parreirado Carmo, de 31 anos, ter matado o estudante Daniel Duque, de 18 anos, com um tiro quando saía de uma boate com o estudante Pedro Velasco, filho da promotora Márcia Velasco, para quem faz segurança há sete anos. O crime aconteceu na madrugada de sábado durante uma briga entre jovens em frente à boate Baronetti, em Ipanema, na zona sul do Rio.   O Ministério Público tem hoje 250 PMs cedidos, dos quais 24 trabalham como seguranças de cinco promotores e dele. A proteção aos promotores é extensiva aos seus parentes. Carmo é um dos dois seguranças que ficam 24 horas à disposição da promotora Márcia Velasco, que é ameaçada de morte constantemente por sua atuação no combate ao crime organizado. Ela foi uma das responsáveis pela prisão do traficante Fernando Luiz da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, preso na Penitenciária Federal de Campo Grande. "Há dez dias chegou ao nosso conhecimento que mais uma vez ele manifestou ódio mortal da promotora e disse que mesmo que seja a última coisa que ele faça na vida, ele vai matá-la. A segurança a ela e à família é absolutamente necessária", disse Marfan.   Segundo o procurador, mesmo estando ameaçados, os promotores e suas famílias tentam viver dentro da normalidade, mas que o caso pode fazer com que o Ministério Público determine limites para a segurança. A mãe de Daniel, Daniela Duque, pode entrar com uma ação contra o Estado, já que o soldado estava a serviço. Ela disse que "quer Justiça" e que não vai "deixar o crime cair no esquecimento". Nesta segunda, ela pediu auxílio ao consulado dos Estados Unidos no Rio, já que Daniel tem dupla nacionalidade.   O procurador instaurou um procedimento para apurar a conduta do soldado. Ele quer saber se houve excesso do PM, a única pessoa que estava armada e que disparou três tiros. O questionamento é se o policial deveria ter entrado em uma briga de jovens. "O procedimento normal é retirar a pessoa do local com segurança e não participar do evento. Temos que saber se ele se envolveu na briga ou se ele foi atacado e se defendeu", disse.   O governador Sérgio Cabral classificou de "despreparo" a ação do policial. Para ele, "mesmo que fosse uma briga violenta, não era o caso de puxar uma arma. Apesar de o soldado estar preso no Batalhão Especial Prisional, Vieira determinou o afastamento cautelar do PM. Vieira disse que o soldado tem cursos de segurança e foi selecionado para participar da equipe por isso. Ele não tem anotações criminais em sua ficha.   "Ele disse em depoimento que o tiro foi acidental durante uma luta corporal em que ele atuava em legítima defesa. Na versão do grupo a que pertencia o estudante que morreu, a agressão partiu dos amigos do filho da promotora. Quem vai apurar isso é a delegacia", disse. Vieira disse que Márcia está "chocada" e também vive um momento difícil, sofrendo muito com o episódio que envolve seu filho Pedro, a quem ela deve apresentar à delegacia para prestar depoimento até quinta-feira. A polícia ainda deve ouvir o depoimento de outras pessoas que estavam no local. Uma fita com imagens do interior da boate, onde teria começado a discussão, foi entregue na 14ª Delegacia de Polícia, que apura o caso.

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