Prefeitura de Curitiba
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MP vê excessos da PM em confronto no Paraná; Dilma repudia violência

Trinta dos 234 feridos prestaram depoimento ao MP e falaram de abusos da PM; porta-voz da polícia diz que ‘desproporcional seria o uso de armas letais’. Anistia pede que Estado se responsabilize

Julio César Lima, ESPECIAL PARA O ESTADO

30 de abril de 2015 | 22h47

CURITIBA - O Ministério Público do Estado do Paraná vê excessos na ação policial que deixou nesta quarta-feira, 29, 213 manifestantes e 21 policiais feridos no Centro Cívico de Curitiba. Ao menos 30 pessoas foram nesta quinta-feira, 30, ao MP para denunciar aos procuradores abusos e truculência dos agentes. O governo negou e reiterou que a infiltração de black blocs causou o confronto. Sem citar diretamente o Paraná, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta que “manifestações dos trabalhadores são legítimas e temos de estabelecer o diálogo sem violência”.

O promotor Eliezer Gomes considera prematuro opinar sobre a postura do governo do Estado e da PM, mas adiantou que “viu excessos”. “Há indício de que excesso houve, em momentos muito grande, outros menos. Mas no mínimo fugiu do padrão de resultados”, disse.O MP ainda recolhe relatos sobre o que motivou os policiais a deixarem o cerco que faziam à Assembleia Legislativa - onde foi votado e aprovado um projeto que muda a previdência estadual. “Vamos depois ver como é a cadeia de comando, quem deu as ordens”, comentou o promotor dos Direitos Humanos, Olympio de Sá Sotto Maior.


Enquanto testemunhas relatavam abuso da PM, que usou gás e balas de borracha, a coordenadora de imprensa da PM do Paraná, Marcia Santos, dava entrevista à BBC Brasil afirmando que “desproporcional seria o uso de armas letais”. “O uso da força foi progressivo. Se você olhar as imagens, os policiais estavam pacíficos. Foi gradativo.”

Já o presidente da Associação de Praças do Paraná (Para), Orelio Fontana Neto, foi ao MP para entregar imagens que comprovariam a existência de black blocs na manifestação. Ele estava acompanhado da soldado Kátia Queiróz, que teve uma luxação na perna durante o conflito. “Eu estava na grade e depois que (black blocs) a derrubaram, minha perna ficou presa e ainda passaram por cima.”

Aos procuradores, Célio Rinaldin Spósito, que leciona História há 22 anos em Cianorte, dava outra versão. “Foram duas horas de guerra. São servidores, não homens armados. Eu estava a poucos metros quando eles vieram em nossa direção.”

Repercussão. Em reunião com líderes de centrais sindicais, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff repudiou a violência em qualquer protesto e defendeu “respeito às manifestações, respeito às diferenças de opinião”. “Para construir consenso e evitar a violência, o único caminho existente é o caminho do diálogo”, disse. 

A Anistia Internacional condenou “o uso desproporcional da força” e pediu que o Estado se responsabilizasse. “A polícia não age por conta própria”, afirmou o diretor executivo, Átila Roque. A seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) viu a ação como “atentado à democracia.”

Especialistas em segurança também fizeram críticas. “Só espero que o procurador-geral de Justiça do Paraná processe os mandantes e os policiais criminosos que fizeram essa repressão”, disse o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, que chefiou a Secretaria de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “É absolutamente revoltante que o governo do Paraná trate manifestantes pacíficos usando bala de borracha, cachorros pitbull e bombas”, declarou Pinheiro. Para ele, responsabilizar black blocs é “conversa para boi dormir”. “Eram gatos pingados.”

Paralisação. A mudança na previdência foi sancionada nesta quinta-feira pelo governador Beto Richa (PSDB). A greve dos professores continua. / COLABORARAM ANA FERNANDES, RAFAEL MORAES MOURA e CARLA ARAÚJO

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