MPE já investiga mortes nos confrontos entre polícia e bandidos em SP

O Ministério Público Estadual (MPE) já começou a investigar as mortes ocorridas no período crítico dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) e da reação da polícia, de 12h30 do dia 12 às 14h30 do dia 20. Com base nos laudos preliminares de 132 mortes por amas de fogo, de corpos que deram entrada no Instituto Médico Legal central da capital, o MPE está puxando no sistema Infocrim, da polícia, cópia de todos os boletins de ocorrência correspondentes.Além dos promotores que atuam perante os cinco Tribunais do Júri da Capital, que têm atribuição de investigar homicídios, a instituição envolveu na apuração o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GECEP) e o Centros de Apoio das Promotorias Criminais e da Cidadania. A idéia é fazer um trabalho mais integrado possível - para apurar cada morte em separado, eventuais excessos por parte de policiais e eventuais ações de grupos de extermínio. O Infocrim, que estava ficando fora do ar em alguns pontos do MPE, voltou a funcionar ontem, quando o Estado publicou reportagem revelando os problemas.O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, disse que, apesar de ter dado início ao trabalho, continua esperando a lista com os nomes das vítimas e os respectivos B.O.s, que requisitou ao governo do Estado. "As informações oficiais tem dados complementares que podem auxiliar nas investigações", declarou. "Se já tivessem nos enviado o material antes, a instituição já teria melhores elementos para apurar os fatos."O prazo de 72 horas dado às Polícias Civil e Militar vence amanhã. Pinho não revelou se a possibilidade de acionar os comandos das Polícias por crime de desobediência continua valendo, caso a lista e os B.O.s não sejam entregues. "Vamos esperar o fim do prazo para ver o que acontece."Em reunião no Palácio dos Bandeirantes, na terça-feira, Pinho, o governador, Claudio Lembo, e o secretário de Segurança Pública, Saulo Abreu, divergiram sobre a divulgação da lista. O governo considera que caso os nomes se tornem públicos, haverá exposição das famílias das vítimas e dificuldades nas investigações. Para o Ministério Público, não há motivo para que os nomes não sejam divulgados.Assim como o MPE, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública do Estado receberam nesta quarta cópias dos 132 laudos preliminares, enviadas pelo Conselho Regional de Medicina. As duas instituições também iniciarão procedimentos de investigação, paralelamente à polícia e ao MPE.

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