MPE pede mais tempo para apurar acidente no Metrô de SP

O Ministério Público do Estado pediu à Justiça mais 90 dias para concluir o inquérito que investiga o acidente nas obras da futura Estação Pinheiros do Metrô de São Paulo, que deixou sete mortos em 12 de janeiro. Depois desse prazo, o promotor José Carlos Blat, que acompanha as investigações, acredita ser "muito provável" que sejam pedidos outros 90 dias para a conclusão das investigações. "Não acredito que a perícia técnica seja concluída em menos de seis meses", disse.Segundo Blat, uma das coisas que emperram as investigações é a necessidade de se realizar obras de sustentação para permitir que os peritos cheguem ao local onde houve a ruptura do túnel. "As obras na Estação Pinheiros estão suspensas até o fim do inquérito, mas não conseguiremos terminar o inquérito se não fizermos as obras de sustentação."Dois meses depois da tragédia, 70 famílias continuam desabrigadas, vivendo provisoriamente em seis hotéis da região. São proprietários de imóveis desocupados pela Defesa Civil e que permanecem interditados. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) divulgou laudos de mais três imóveis, além dos primeiros 32, atestando que estão em condições de receber de volta os moradores. Mas a maioria não quer voltar, por medo."Como dizem que os moradores podem voltar para o prédio se o chão da garagem está afundado? Estamos a exatos 22 metros do buraco. A minha mulher, que estava sozinha no momento do acidente, continua dormindo sob efeito de calmantes e não quer nem ouvir o nome da rua. A gente tem medo de voltar. Não há como viver ali de novo", diz o corretor de imóveis Antonio Manoel Dias Teixeira, de 53 anos, hospedado no Golden Tower. Ele é dono de um dos oito apartamentos no número 170 da Rua Gilberto Sabino, um dos que foram considerados seguros pelo IPT.A comerciante Itália Souza Pereira, hospedada no Hotel Mercure, é uma das poucas pessoas que querem voltar para casa. Ela perdeu na cratera, além da moradia, os lucros que fazia com a lanchonete montada na garagem, na esquina das Ruas Gilberto Sabino e Conselheiro Pereira Pinto. "Não tenho o que fazer aqui, vivo olhando, do 15º andar, os carros passando lá embaixo", diz.A Subprefeitura de Pinheiros, responsável pela liberação dos imóveis, diz que não permitirá a volta de nenhum morador enquanto o IPT não apresentar o laudo geológico, que atestará as condições do solo. A Defensoria Pública, que atende mais de 20 famílias, propôs ao Consórcio Via Amarela, responsável pelas obras, que compre os imóveis e fique com a indenização do seguro. "Isso agilizaria muito o processo", diz a defensora Renata Tibiriçá. O consórcio informou que analisa a sugestão.Cinco dos sete acordos de indenização com familiares de vítimas fatais já foram fechados. Também foram feitos 27 acordos com os inquilinos dos imóveis das ruas próximas à obra. Nessa semana, o Consórcio Via Amarela - formado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez - deve iniciar as negociações de indenização com os proprietários desalojados. Se o IPT atestar que o solo dos imóveis é seguro, eles poderão contratar empresas de sua confiança para fazer o orçamento da reforma, que deve ser paga pelo consórcio.

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