MPE pede que diretor de escola deixe cargo

Pais se dividem; suspeito se contradisse em dois depoimentos

Marici Capitelli, JORNAL DA TARDE, MARÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

A direção do Colégio Cristo Rei, em Marília, e a Congregação Sagrado Coração da Província do Brasil distribuíram ontem para pais e alunos um manifesto de apoio e solidariedade ao diretor Luís Eduardo de Oliveira. O religioso foi indiciado há três dias por crime de pedofilia. Na escola, onde estudam alunos de alto poder aquisitivo, e na cidade de Marília, no interior paulista, onde vivem em torno de 240 mil habitantes, só se falava ontem nesse processo. Alguns pais pedem o afastamento imediato da direção e se dizem preocupados. O Ministério Público Estadual (MPE) também vai pedir que Oliveira deixe o cargo, por meio de ação na Vara da Infância e da Juventude.A polícia afirma ter obtido provas de que o computador do religioso foi usado numa troca de mensagens com uma menina de 12 anos de Americana que por cinco vezes ficou nua na frente de uma webcam. Além disso, 40 fotos pornográficas com crianças foram recuperadas no notebook de Oliveira.Em nota, a congregação diz que "o irmão Luís Eduardo de Oliveira sempre demonstrou maturidade e sério empenho em realizar de maneira responsável todos os trabalhos e encargos a ele destinados". O religioso, que entrou na irmandade há 15 anos, está na direção do colégio desde 2000. O documento ressalta que tanto a mantenedora quanto a direção do colégio manifestam "total apoio e confiança em sua inocência".DEPOIMENTO CONTRADITÓRIOOliveira, que tem 40 anos e não é casado por determinação religiosa, prestou depoimentos contraditórios que só aumentaram as suspeitas contra ele. Pouco tempo depois do seu notebook ter sido apreendido pela Delegacia da Mulher de Marília, declarou por escrito que era o único dono do equipamento e afirmou que usava o pseudônimo de Thais Cooler, até mesmo com a foto de uma jovem, para "contactar jovens com o intuito de, se identificando como uma jovem, conhecer o que a juventude admira ou repudia numa escola, para ficar atento a seus desejos". Dias depois, acompanhado de dois advogados, o religioso mudou a versão, dizendo que o seu computador era compartilhado por outras pessoas. "São duas versões absurdamente diferentes", afirmou o promotor Gilson da Silva. Segundo ele, com todo o material que foi analisado e periciado não restam dúvidas de que é culpado. A perícia constatou no computador que também foram acessadas salas de bate-papo de conteúdo homossexual.Rubens Franklin, advogado de defesa de Oliveira, garantiu que na segunda entrará com um pedido de habeas corpus para pedir o trancamento da ação penal por pedofilia. "Meu cliente, que é absolutamente inocente, está sofrendo constrangimento ilegal." Segundo ele, a polícia "está querendo ver Oliveira de qualquer jeito na cadeia". Franklin afirmou que seu cliente encontra-se de férias. A primeira audiência do processo ocorre em 18 de maio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.