MPE pede que Samarco pague salário mínimo a desabrigados

Promotoria deu 5 dias para a empresa apresentar cronograma para 'resguardar os direitos' dos moradores de Bento Rodrigues

Bruno Ribeiro, Enviado especial

09 Novembro 2015 | 15h30

Atualizada às 18h33

MARIANA (MG) -  O Ministério Público Estadual de Minas Gerais deu prazo de cinco dias para a empresa Samarco apresentar um cronograma para "resguardar os direitos" dos habitantes do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), o que inclui prazos de permanência nos hotéis da cidade e a transferência dos moradores para casas. O MPE também pede que a empresa comece a pagar um salário mínimo a cada grupo familiar já cadastrado.

A Samarco ainda não se manifestou. Caso a determinação não seja cumprida, o promotor diz que entrará com ações pedindo imediato comprimento das exigências.

"O que estamos buscando é uma solução extrajudicial para essa situação emergencial, sem nenhum prejuízo a todas as indenizações que a empresa terá de pagar na esfera cível", diz o promotor Guilherme Meneghin, autor da determinação.

O Hotel Providência, no centro histórico de Mariana, que concentra o maior número de hóspedes, tem avisado informalmente hóspedes e representantes da Samarco - que são presença constante no lugar - de que só terá vagas até o dia 16, quando um grupo que já pagou as estadias deve chegar ao local. 

O hotel, que abriga mais de 100 pessoas, tem imposto horários de visita e colocado pulseiras nos desabrigados diante da quantidade de gente no lugar, em geral amigos e parentes dos desabrigados que querem saber notícias.  

O promotor vem tomando depoimentos dos moradores desde o começo da semana e chegou a visitar o Providência. Ele diz que a Samarco vinha tendo um contato constante com ele até a apresentação da determinação. "Agora, ficaram de responder", conta Meneghin. 

"Essas famílias têm tido gastos e muitas delas não têm renda. Elas não podem ficar dependentes dos marmitex da Samarco por muito tempo. Além disso, têm contas a pagar, fatura de telefone celular, que é tão importante nessa hora", conclui o promotor, ao justificar o pagamento dos salários mínimos 

 

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