MPE recupera tela de Volpi roubada em 2002

Quadro ?Vaso de Flor? seria leiloado ontem em galeria dos Jardins

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

Uma tela do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi (1896-1988), roubada há mais de sete anos da residência de um colecionador em São Paulo, foi recuperada pelo Ministério Público Estadual (MPE). O quadro Vaso de Flor, datado do fim dos anos 30, estava exposto em uma galeria de arte da região dos Jardins, zona oeste da capital, e seria levado a leilão na noite de ontem por um valor entre R$ 60 mil e R$ 80 mil. Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) determinaram a reabertura das investigações para tentar chegar aos assaltantes.O crime aconteceu na manhã de 2 de março de 2002, um sábado. Vestidos como funcionários da concessionária de energia Eletropaulo, três homens se apresentaram ao porteiro do edifício no número 130 da Avenida São Luís, no centro da capital. Pediram para inspecionar o quadro de força na garagem e, minutos depois, alegaram que seria preciso ir ao apartamento no 5º andar. Ao chegarem, os bandidos sacaram suas armas e anunciaram o assalto. O porteiro, o dono do apartamento, Marco Antonio França Mastrobuono, e a namorada dele, Cláudia Bittencourt Carvalho, foram rendidos e permaneceram reféns por três horas.Os criminosos queriam saber a localização de um cofre. Como as vítimas insistiam em dizer que não possuíam cofre, joias ou dinheiro, o trio passou a agredi-los e a rasgar algumas das telas penduradas nas paredes. Foi quando Cláudia resolveu dizer a eles que os quadros tinham um bom valor no mercado. Depois de danificarem 14 telas, os ladrões fugiram levando dois celulares e outros sete quadros, entre eles dois de Alfredo Volpi e dois de um artista peruano, pintados no século 18. As investigações se arrastaram por três anos, até serem arquivadas, em 4 de março de 2005, por insuficiência de provas.No final do mês passado, o próprio colecionador acabou localizando uma das obras roubadas. Mastrobuono diz que não encontrou a tela, mas que ela, no fim das contas, o encontrou. "Depois de sete anos, já nem esperava mais... Eu tinha ido com o meu filho a uma reunião numa galeria dos Jardins que acabou terminando mais cedo do que o esperado. Aí resolvi dar um pulo nessa casa de leilões, porque sabia que eles estavam juntando peças para um novo leilão. Assim que entrei, o quadro estava ali, na parede. Me emocionei muito, meu filho também. Ele estava intacto, perfeito."O colecionar enviou, então, uma detalhada representação para os promotores do Gaeco avisando do paradeiro do Volpi. Por ordem da Justiça, a tela foi apreendida na quinta-feira passada, sem que o dono da galeria sequer soubesse do motivo. "O dono da galeria me ligou bravo, perguntando por que eu não procurei ele antes. Bem, decidi chamar a polícia primeiro porque não fui vítima de um roubo qualquer, não foi um acidente. Fui vítima de um assalto violentíssimo, me torturaram, ?vandalizaram? 14 telas da minha casa. É preciso saber como o quadro foi parar lá", argumentou Mastrobuono.OUTRAS OBRASSegundo o marchand, a tela do Volpi encontrada é uma das menos valiosas entre as sete que foram roubadas de sua residência. "Três quadros roubados não tinham valor expressivo, eram de pintores não muito conhecidos. Mas dois quadros eram peruanos do século 18, então imagino que já foram revendidos para o exterior. E agora que foi divulgado o paradeiro deste Volpi, acho difícil que os outros quadros apareçam em algum lugar. Quem está com eles vai guardar muito bem."Por ora, a tela recuperada pelo MPE está depositada judicialmente no acervo do banco Nossa Caixa. O inquérito policial foi reaberto e um delegado do 3º Distrito Policial (Santa Ifigênia) está designado para retomar as investigações. "Queremos fazer o caminho inverso", explicou do promotor Roberto Porto, do Gaeco da capital. "Nossa ideia é refazer o caminho percorrido por essa tela até a galeria de arte para tentar, enfim, descobrir as identidades dos bandidos." FRASESMarco Antonio França MastrobuonoColecionador"Depois de sete anos, já nem esperava mais. Resolvi dar um pulo nessa casa de leilões e, assim que entrei, o quadro estava ali, na parede. Me emocionei muito. Ele estava intacto, simplesmente perfeito""O dono da galeria me ligou bravo, perguntando por que eu não procurei ele antes. Decidi chamar a polícia porque fui vítima de um assalto violentíssimo. É preciso saber como o quadro foi parar lá"

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