WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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MPF quer cobrar gastos da União com tropas no Espírito Santo

Procedimento vai apurar quem são os responsáveis pelo motim de PMs no Estado

O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2017 | 23h22

O Ministério Público Federal instaurou procedimento nesta quinta-feira, 9, para apurar quem são os responsáveis pelo motim de PMs no Espírito Santo e cobrá-los pelos gastos da União com as tropas das Forças Armadas e da Força Nacional. A Promotoria já questionou os custos junto a autoridades capixabas e federais, que terão dez dias para responder.

De acordo com o Código Civil, a União pode ser ressarcida caso se apure prejuízo causado ilicitamente.A força-tarefa terá, até o fim de semana, 3 mil homens, entre militares e agentes da Força Nacional. Até esta quinta-feira, 9, havia 1.783. 

Operação similar desenvolvida pelo Exército no Rio Grande do Norte, entre o dia 20 de janeiro e 6 de fevereiro, consumiu, em média, R$ 550 mil por dia. A estimativa foi apresentada pelo ministro da Defesa, Raul Jungamnn, ao analisar a atuação das tropas naquele Estado. Ao longo de 16 dias, 1.887 homens e mulheres das Forças Armadas reforçaram o policiamento ostensivo na Grande Natal após ataques a veículos do transporte público e bases da polícia por uma facção criminosa. Ao todo, foram gastos R$ 8,9 milhões. 

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Para tentar conter o motim, o governo criou na quarta-feira, 8, um comitê de negociação com representantes do movimento que impede a saída de policiais militares dos batalhões das principais cidades do Estado.

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