Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

MPF solicita abertura de inquérito para investigar incêndio no Museu Nacional

Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que 'essa tragédia' deve despertar 'a urgência de preservar a memória'

Teo Cury, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 16h11

BRASÍLIA - Um inquérito policial será instaurado para apurar as causas e as responsabilidades pelo dano causado ao acervo e ao edifício do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, informou a Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria-Geral da República

O acervo de aproximadamente 20 milhões de peças foi praticamente inteiro destruído por um incêndio na noite deste domingo, 2. O Grupo de Trabalho Patrimônio Cultural e o colegiado da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal (MPF) lamentaram o ocorrido.

Em nota divulgada nesta segunda, o Grupo de Trabalho e a Câmara destacaram que as restrições orçamentárias, a "drástica redução de investimentos" e o loteamento político de cargos de gestão da cultura afetam diretamente a preservação do patrimônio cultural e inviabilizam as possibilidades de sucesso nos projetos nacionais, regionais e locais.

"A perda é irreparável e a falta de estabelecimento de prioridades das políticas públicas na área cultural afetam não somente o Brasil mas toda a humanidade. A reconstrução do seu prédio apenas preservará o referencial arquitetônico daquele monumento, mas jamais os tesouros que compunham seu acervo", diz a nota.

No Rio para reuniões, a chefe do MPF, procuradora-geral da República Raquel Dodge, disse que a população amanheceu de luto "pela grande perda para o patrimônio cultural brasileiro e mundial". Para ela, "essa tragédia" deve despertar "a urgência de preservar a memória". 

"A memória é o alicerce da vida, nos ensina o que somos e nos identifica. Sem memória, perdemos referências e corremos o risco de repetir erros ou de não compreender a escala positiva de nossos avanços", disse.

O ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva  disse que a Polícia Federal iniciou as investigações sobre as causas do incêndio que destruiu o Museu Nacional;

Para o ministro, os trabalhos da PF deverão ser intensificados somente depois de o Corpo de Bombeiros deixar o local. A perícia, no entanto, ainda dá os primeiros passos.  Neste momento, disse, a previsão é de que o trabalho de investigação seja realizado apenas pela PF, mas não está descartada a colaboração com policiais do Rio. "Se a polícia necessitar de suporte ela vai requisitar." 

 

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