MS comemora extradição de Abadía e quer saída de Beira-Mar

Traficante colombiano deixou presídio no Estado na madrugada desta sexta e foi mandado aos EUA

João Naves de Oliveira, de O Estado de S. Paulo,

22 Agosto 2008 | 12h39

O governo do Mato Grosso do Sul comemora a extradição do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez-Abadía e agora quer que Fernandinho Beira-Mar deixe o presídio federal de Campo Grande. O prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB) e o governador do Estado, André Puccinelli (PMDB), afirmaram ser um alívio saída de Abadia.   Veja também: Outros criminosos que se refugiaram no Brasil  Imagens da operação que prendeu Abadía Todas as notícias sobre a prisão de Abadía      "Junto com esse tipo de pessoas, só vem coisa ruim para Campo Grande", comentou Trad. O governador disse que para maior tranqüilidade da população local, falta ainda "levar o Beira-Mar para bem longe do MS. Quem tem que tomar conta desse homem é o Rio de Janeiro. Eu nunca apoiei a vinda dele", afirmou Puccinelli.   Depois de quase 13 meses detido no Presídio Federal de Campo Grande, o traficante colombiano foi transferido para os Estados Unidos. Ele deixou a penitenciária às 4h30m da madrugada desta sexta-feira, 22, sob forte esquema de segurança e embarcou no Aeroporto da Base Aérea em um avião da Polícia Federal, com destino a Manaus (AM), onde foi entregue a uma equipe da DEA (Drug Enforcemente Administration), para seguir viagem com escala em Kingston, na Jamaica.   Abadia chegou ao Presídio Federal de Campo Grande, em agosto de 2007 e nesse período causou grandes preocupações. Segundo o corregedor da penitenciária, juiz federal Odilon de Oliveira, existiram informações sobre plano de fuga do colombiano, desde a primeira semana que entrou no presídio. Houve inclusive uma tentativa de resgate de preso no dia 13 de abril de 2008, quando pelo menos oito homens dispararam tiros de fuzis 762, durante 20 minutos contra o presídio, logo depois de um helicóptero não identificado sobrevoar a área.   No início deste mês, a Polícia Federal desencadeou a Operação X, para desmantelar uma quadrilha formada dentro do presídio por quatro presos, entre eles Abadia. Conforme informações da Polícia Federal, o grupo comandaria a execução de vários seqüestros para extorquir as vítimas, relacionadas em uma lista apurada pela PF, com vários nomes, incluindo até um dos filhos do presidente Luís Inácio Lula da Silva, além de um deputado federal e um membro do Senado Federal.   A justiça brasileira, condenou o criminoso extraditado a 30 anos, 5 meses e 14 dias de prisão, por lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Não existe no País registro sobre outros crimes do condenado. Conforme documentos apresentados pela DEA, Abadía é responsável por mais de 300 assassinatos na América Latina, e líder do importante cartel de drogas do Valle del Norte na Colômbia. Também movimentou pelo menos US$ 1 bilhão em 10 anos com o envio de estimativamente, mil toneladas de cocaína para o mercado norte-americano.

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