MST convoca militantes para campanha de Dilma

Comunicado assinado por movimentos sociais diz ser preciso 'derrotar a candidatura Serra, que representa as forças direitistas e fascistas do País'

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2010 | 00h00

O Movimento dos Sem-Terra (MST) decidiu assumir sua simpatia ao atual governo e entrar na campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Em nota, o movimento conclama a militância para "se engajar nessa luta, que é importantíssima para a classe trabalhadora".

Com o título Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil, o comunicado - assinado também pela Via Campesina e por outros 13 movimentos sociais - diz que é preciso "derrotar a candidatura Serra, que representa as forças direitistas e fascistas do país".

Crítico do governo Lula, apesar de ter suas bases abastecidas com recursos federais, o movimento decidiu sair dos bastidores da disputa eleitoral depois de avaliar a possibilidade de derrota da candidata petista. A cúpula do MST vinha negociando com outros movimentos a forma de exteriorizar o apoio sem o risco de piorar o quadro eleitoral.

Embora as invasões de terra tenham sido praticamente suspensas desde o último abril vermelho em função do calendário eleitoral, a maioria da população não aprova as ações do MST como indicam pesquisas recentes.

O texto do "comunicado ao povo brasileiro" foi definido após uma série de reuniões em Brasília, São Paulo e outras capitais. Os signatários consideram que os avanços do governo Lula na reforma agrária foram insuficientes. Manifestam preocupação com o arco de alianças da candidatura de Dilma, pois "há forças políticas que se contrapõem a essas demanda sociais", mas veem em José Serra um "inimigo" de suas bandeiras de luta.

Ontem, no interior de São Paulo, coordenadores regionais reuniram-se com as bases em assentamentos e acampamentos para definir estratégias de ação. "Estamos conclamando a militância para que saia às ruas e peça votos para a Dilma", disse Clédson Mendes, da coordenação estadual.

Segundo ele, além da ligação histórica do PT com os movimentos sociais, Serra tomou posição contra a reforma agrária. "Quando governador, Serra fez projeto de lei repassando as terras públicas do Pontal do Paranapanema para os grileiros", disse.

CNA. Enquanto o MST e a Via Campesina apoiam Dilma, a grande maioria dos produtores agrícolas do País quer Serra no governo, diz a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Para ela , nunca houve dúvidas quanto à ligação dos sem-terra com o presidente Lula e sua candidata. "Eles (MST e Via Campesina) são petistas", afirma a senadora. "Fizeram tudo o que era esperado neste segundo turno da eleição presidencial." / COLABOROU ROSA COSTA

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