MST evita criar problemas para o PT em ano eleitoral

O Movimento dos Sem-Terra (MST) e outras organizações que defendem a redistribuição de terras no País costumam reduzir suas ações em períodos eleitorais. O relatório da CPT divulgado ontem confirma essa tendência, que, a julgar pelo que já se viu em 2002 e 2006, deve se acentuar em agosto, setembro e outubro, até o segundo turno das eleições.

Análise: Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 00h00

A explicação que os líderes do MST costumam dar para a mudança de atitude é a participação dos seus militantes no debate e na disputa eleitoral, apoiando candidatos ligados à causa. Também dizem que nessa época do ano as instituições oficiais ligadas à questão agrária ficam praticamente paralisadas, à espera do novo governo. Não valeria a pena, portanto, bater às portas desses órgãos com reivindicações.

Há, porém, um terceiro motivo, não explicitado, que é a ligação entre o movimento e o PT. Quando recuam para o fundo do palco no ano eleitoral, os militantes dos sem-terra também estão preocupados em não criar constrangimentos aos candidatos de partidos que apoiam sua causa - especialmente os petistas. Levando em conta que uma parcela do eleitorado vê o MST como uma espécie de ameaça à ordem instituída, sabem que o melhor a se fazer é não acirrar conflitos e acusações.

Do outro lado, partidos que disputam terreno com o PT fazem o contrário: em ano eleitoral procuram exibir de todas as maneiras ao eleitorado os vínculos entre petismo e emessetismo. O PSDB e o DEM acusam os petistas e o governo Lula de serem lenientes com as invasões, reavivam comissões parlamentares sobre o tema, falam da insegurança no campo e, nas sabatinas, entrevistas e debates, prometem, se eleitos, agir com mão de ferro contra o MST. Até o PT fala mais duro contra o movimento, garantindo que só apoiará medidas a favor da reforma agrária que estejam rigorosamente dentro da lei.

É no contexto desse jogo eleitoral que os sem-terra reduzem o número de invasões.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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