MST invade fazenda e corta eucaliptos na BA

Pela terceira vez sem-terra ocupam área da Veracel e derrubam árvores destinadas a produzir celulose, alegando necessidade de plantar alimentos

Eliana Lima, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

SALVADOR

Dentro da jornada nacional do "abril vermelho", militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) ocuparam ontem a Fazenda Barrinha, pertencente à Veracel S.A., indústria que atua no plantio de eucalipto para produção de celulose. A fazenda fica às margens da BR-101, no município de Eunápolis, extremo sul da Bahia.

Os primeiros 50 integrantes do MST chegaram ao local no início da tarde, mas garantiram que ainda esta semana um contingente estimado em 500 pessoas deverá se juntar a eles. Esta é terceira vez que o movimento ocupa a propriedade, que possui 4.700 hectares. Eles já derrubaram vários pés de eucalipto, argumentando com a necessidade de plantar lavouras que assegurem a alimentação dos sem-terra.

Como em vezes anteriores, os invasores garantem que só deixam o lugar mediante a garantia de avanço nas negociações sobre desapropriação de terra na região.

Já a Veracel, por meio de nota, considera que "a invasão desrespeita as determinações do Judiciário de Eunápolis, que determinou a reintegração de posse, já cumprida no passado por duas vezes, sempre com desocupação pacífica do local. Esta mesma área também está contemplada pela confirmação da Coordenação de Defesa Agrária (CDA) do Estado da Bahia que concluiu que a Veracel não ocupa terras devolutas".

Marcha. Outro grupo do movimento, com cerca de 5 mil pessoas, segue na marcha iniciada segunda-feira da cidade de Feira de Santana a Salvador. Na tarde de ontem, eles se encontravam no município de Amélia Rodrigues, a 84 quilômetros da capital baiana. O objetivo é percorrer os 110 quilômetros que separam as duas cidades em sete dias, a fim de chamar a atenção do governo para que acelere o programa reforma agrária no País.

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