MST ocupa sede nacional do Incra e escritório em São Paulo

Movimento exige o assentamento das 90 mil famílias acampadas em todo o Brasil

Solange Spigliatti, do estadão.com.br

19 de abril de 2010 | 11h50

Sem Terra ocuparam pacificamente a sede do Incra em São Paulo na manhã desta segunda-feira

 

SÃO PAULO - Mais de 700 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) ocuparam na manhã desta segunda-feira, 19, a sede nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Brasília.

 

A mobilização faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. Com o lema "Lutar não é crime", o MST exige o assentamento das 90 mil famílias acampadas em todo o Brasil. Segundo o movimento, a ação cobra os compromissos assumidos pelo governo federal depois da jornada de agosto, que ainda não foram cumpridos.

 

São Paulo

 

A sede do Incra em São Paulo, na Rua Dr. Brasílio Machado, 203, Campos Elísios, também foi tomada na manhã de hoje, por cerca de 500 integrantes do MST, vindos de vários acampamentos e assentamentos de São Paulo.

 

Segundo o movimento, os manifestantes entraram no prédio pacificamente por volta das 7 horas, e às 11h30 estavam concentrados no saguão. O grupo defende a permanência de escolas nos assentamentos do Estado.

 

Recife

 

Divididos em três grupos, cerca de mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) fizeram caminhadas em avenidas de grande tráfego de veículos na manhã desta segunda-feira, 19, em horário de pico, provocando intenso congestionamento no Recife. Eles deixaram a sede do Incra, na avenida Rosa e Silva, onde estão acampados desde o sábado, 17, e se subdividiram em três grupos que seguiram três roteiros diferentes - avenidas Abdias de Carvalho, Caxangá e Norte - encontrando-se na Avenida Agamenon Magalhães - que liga a zona sul da capital a Olinda.

 

O objetivo da ação, previamente planejada, foi mostrar o descontentamento do movimento com os governos federal e estadual em relação à reforma agrária."Foi um protesto pacífico dentro da nossa luta pelo fim do latifúndio", afirmou o líder do movimento, Jaime Amorim, que acredita que "assim como eliminamos a escravidão, o latifúndio também será eliminado".

 

Por volta das 9h30, os sem terra retornaram ao Incra, onde à tarde uma comissão irá se reunir com os superintendentes do órgão das regionais Recife e Petrolina (sertão do São Francisco) para negociar em torno de uma pauta do movimento. Amorim destaca que no ano passado somente 70 famílias foram assentadas em Pernambuco. Nesta terça-feira, 20, a negociação será com o governo do Estado. "Se os resultados forem favoráveis, deveremos deixar o Incra na sexta-feira", avisou Amorim. "Caso contrário, poderemos ficar aqui por tempo indeterminado".

 

(Com Angela Lacerda, da Agência Estado)

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