MST promete ''janeiro quente'' em São Paulo

Ação pretende ocupar dezenas de propriedades nas regiões do Pontal do Paranapanema, Noroeste, Alta Noroeste e Alta Paulista do Estado

Chico Siqueira, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

O grupo do Movimento dos Sem-Terra (MST) liderado por José Rainha anuncia uma nova onda de ocupações para o próximo mês. Rainha, que já utiliza a expressão "janeiro quente", pretende ocupar dezenas de propriedades rurais no interior paulista, nas regiões do Pontal do Paranapanema, Noroeste, Alta Noroeste e Alta Paulista.

"Vamos começar o ano com o janeiro quente, ocupando as propriedades que estão passivas de reforma agrária e as terras devolutas do Pontal do Paranapanema", declarou Rainha na manhã de ontem, antes de iniciar o encontro do MST com cerca de 1,5 mil líderes sem-terra, no bairro rural de Engenheiro Taveira, em Araçatuba, a 535 quilômetros da capital paulista.

Rainha é principal líder do chamado MST da Base, que atua paralelamente ao MST. De acordo com suas informações, além de fazendas, a usina de álcool ETH Bionergia, do grupo Odebrecht, pode ser alvo de ocupação. "Essa usina, assim como mais de uma centena de propriedades rurais, está em terras consideradas devolutas pela Justiça. E terras devolutas são para a reforma agrária", disse, referindo-se à decisão do Tribunal de Justiça, de 26 de agosto, que considerou devoluta uma área de 92,6 mil hectares entre os municípios de Mirante do Paranapanema e Euclides da Cunha, no Pontal.

A proposta, segundo Rainha, não é paralisar a usina. "Não sou louco de paralisar três mil empregos diretos", afirmou.

Os sem-terra planejam montar acampamento nas imediações da usina e, a partir daí, tentar iniciar negociações com os governos estadual e federal e os atuais ocupantes da área. "Vamos propor que, em troca daquela área, eles apresentem outra para reforma agrária".

O líder do movimento insiste que, por terem sido consideradas devolutas, as terras do Pontal devem ser destinadas para reforma. O mesmo tipo de acordo será apresentado a outras fazendeiros que estariam em áreas devolutas, mas, no caso deles, não ficariam livres de invasões.

Além do Pontal, o MST da Base planeja ações nas regiões de Araçatuba (Noroeste), Andradina (Alta Noroeste) e Alta Paulista. Segundo Rainha, nessas regiões existem mais de duas dezenas de propriedades que, embora consideradas prioritárias para reforma agrária, não são liberadas por causa da lentidão dos processos judiciais. "Vamos ocupar para pressionar o governo e a Justiça", afirmou.

Por questões estratégicas, Rainha não revela a data das ações. Ontem estava sendo preparada a pauta de reivindicações a ser apresentada às autoridades na época das ocupações. Ela terá o endosso de dirigentes sindicais rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Também estava sendo redigido ontem uma carta endereçada à presidente eleita Dilma Rousseff, na qual Rainha e outros líderes dos sem-terra pedem que mantenha no cargo o atual coordenador do Incra em São Paulo, Raimundo Pires.

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