MST reforça invasões para pressionar governo

Unido à Via Campesina, movimento invade o Banco do Brasil por sete horas e é recebido no Planalto; protestos se estendem a outros 17 Estados

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2011 | 00h00

Após interditar a entrada do prédio do Ministério da Fazenda, dificultando por sete horas o trânsito de funcionários, integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) prometem intensificar hoje os protestos em Brasília, com a mobilização de mais de 15 mil pessoas. A ocupação de prédios públicos pode ser uma das ações.

"Aqui e nos Estados, todas as mobilizações se intensificarão", disse o coordenador-geral nacional do MST e da Via Campesina, José Valdir Misnerovicz, após encontro no Palácio do Planalto com os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Ele disse que os novos atos vão depender dos sinais do governo e os militantes vão ficar em Brasília "o tempo que for necessário".

A lista de pedidos ao Planalto incluía a renegociação da dívida dos pequenos agricultores - que, somada, está perto dos R$ 30 bilhões - e a aceleração do assentamento de cerca de 60 mil famílias em todo o País, além da revisão da construção da usina de Belo Monte. O governo teria demonstrado disposição para negociar todos os pontos, menos Belo Monte.

Carvalho informou que as demandas serão levadas à presidente Dilma Rousseff, "que, com os ministros, vai se posicionar". Novo encontro dos dois lados deve ocorrer na sexta-feira. Sobre a interdição do Ministério da Fazenda, Carvalho teria reconhecido, segundo o coordenador-geral do MST, que "o movimento tem autonomia para decidir o que fazer". Enquanto Carvalho e Gleisi conversavam com representantes do MST, a presidente Dilma Rousseff recebia a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e expoente da bancada ruralista.

Jornada. Além do encontro no Planalto, alguns milhares de trabalhadores rurais levaram a 17 Estados sua Jornada Nacional de Lutas, com ações parecidas: invasão da sede do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), audiências com autoridades e protestos diante de prédios públicos - Incra, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal. E, perto de grandes assentamentos, o bloqueio de rodovias, que duraram de duas a oito horas. Entre os principais atos, quatro fazendas foram invadidas no Pará, oito estradas foram bloqueadas no Rio Grande do Sul e protestos tomaram praças em Belo Horizonte, Aracaju e Fortaleza. Em Sergipe, cerca de 150 militantes do MST provocaram um engarrafamento de 57 quilômetros ao bloquear por sete horas a BR-101. No Paraná, o movimento estendeu-se a Curitiba, Londrina, Maringá, Laranjeiras do Sul e Francisco Beltrão. / COLABORARAM MARCELO PORTELA, ELDER OGLIARI, ANGELA LACERDA, JOSÉ MARIA TOMAZELA, EVANDRO FADEL, CARMEN POMPEU

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