MST reforça ofensiva e faz ações em 19 Estados

Mobilização do 'abril vermelho' por reforma agrária também incluiu [br]Brasília, onde grupo de 700 sem-terra invadiu sede nacional do Incra

, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

O Movimento dos Sem-Terra (MST) realizou ontem manifestações em 19 Estados e no Distrito Federal para cobrar do governo a criação de novos assentamentos da reforma agrária e exigir mais apoio para as famílias já assentadas.

Em Brasília, um grupo formado por quase 700 sem-terra ocupou a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Também foram ocupadas as sedes do instituto em São Paulo, Rio, Pará, Piauí e Paraíba.

Em Recife, cerca de mil integrantes do movimento fizeram caminhadas em avenidas de grande movimento, no início da manhã, horário de pico de veículos, causando congestionamentos e reclamações.

O líder do movimento no Estado, Jaime Amorim, encarou com naturalidade o descontentamento das pessoas afetadas pelo protesto. "Assim como eliminamos a escravidão, o latifúndio também será eliminado", afirmou.

Na Bahia, o MST deu início a uma marcha que percorrerá, até o dia 26, os 110 quilômetros que ligam as duas maiores cidades do Estado - Feira de Santana e Salvador.

"A marcha também tem o caráter de protesto contra a criminalização dos movimentos sociais", disse o deputado estadual Valmir Assunção (PT-BA), que participa da marcha. O vice-presidente estadual da legenda, Weldes Valeriano, também marcha com os sem-terra.

As manifestações fazem parte do chamado abril vermelho - jornada de ações que ocorre todos os anos em defesa da reforma agrária. Segundo balanço divulgado ontem pelo MST, desde o início do mês já foram invadidas 68 propriedades rurais no País.

Ainda segundo o MST, existem 90 mil famílias em seus acampamentos, à espera de lotes rurais. "Temos famílias acampadas há mais de cinco anos, vivendo em situação bastante difícil à beira de estradas e em áreas ocupadas", disse José Batista de Oliveira, integrante da coordenação nacional do movimento.

Homenagem. Em Fortaleza (CE), os sem-terra ocuparam a sede do governo estadual. Eles também fizeram marchas em Minas e Tocantins. No Rio Grande do Sul os protestos foram realizados em estradas vicinais do município de São Gabriel, para homenagear o acampado Elton Brum da Fonseca, morto naquela região pela Brigada Militar, durante uma desocupação ocorrida em agosto do ano passado.

Em Alagoas, 1.200 integrantes do movimento participaram de um ato público na Praça Dom Pedro II, no centro de Maceió. Em Mato Grosso do Sul cerca 850 famílias ligadas à Federação dos Trabalhadores na Agricultura participaram de ações que resultaram na interdição de oito rodovias federais e estaduais.

Segundo Geraldo Almeida, presidente da federação, a interdição das rodovias marcou o início dos protestos, que deverá seguir até maio no Estado.

No Rio, o MST anunciou que pretende permanecer na sede do Incra até o fim da negociação da pauta de reivindicações. No primeiro encontro que mantiveram com o superintendente regional, Gustavo Noronha, os sem-terra cobraram rapidez no processo de desapropriação de terras no Estado e mais atenção para os assentamentos já existentes. "Os trabalhadores não têm acesso à créditos, à saúde, nem à escola. Queremos condições para que estas famílias se desenvolvam", cobrou Amanda Matheus, da coordenação estadual do MST. / ANGELA LACERDA, ELDER OGLIARI, TIAGO DÉCIMO, JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, GABRIELA MOREIRA e ROLDÃO ARRUDA

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