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MT acusa usineiro de tráfico internacional de armas

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores (MT, dissidência do Movimento dos Sem-Terra - MST) , Valdemir Agostinho, acusa o usineiro e prefeito de São Miguel dos Campos, Nivaldo Jatobá (PMDB), de contrabando internacional de armas.A denúncia do líder dos sem-terra tem como base um documento da Polícia Federal, assinado pela delegada Ana Margarete Valadares Maciel Tavares, garantindo que a arma estrangeira apreendida com o chefe da segurança da Usina Peixe, José Nunes Feitosa, em fevereiro de 2001, não tem registro do Sinarm (Sistema Nacional de Registro de Armas).Nivaldo JatobáA Usina Peixe é de propriedade do grupo Nivaldo Jatobá ? um dos usineiros mais ricos de Alagoas. Segundo Valdemir Agostinho, apesar de falida, a usina vem sendo mantida como se fosse um quartel-general de grupos paramilitares fortemente armados.?A portaria da Usina Peixe funciona como se fosse uma delegacia, com armas, homens, algemas, munições e celas. O trabalhador do Grupo Nivaldo Jatobá que contrariar as ordens do padrão é submetido à tortura, e a polícia não pode fazer nada, porque o delegado de Fexeiras é subserviente ao usineiro?, acusa o coordenador do MT. Segundo ele, nove armas foram apreendidas em menos de seis meses com capangas do Grupo Nivaldo Jatobá.ArmasEm fevereiro de 2001, de uma só vez, foram apreendidas, pelos sem-terra, quatro armas com seguranças da Usina Peixe, na fazenda Papuã, em São Luiz do Quitunde, na divisa com Flexeiras. Entre elas uma espingarda calibre 12, de origem norte-americana, marca Moss Bergo/USA. As outras três armas apreendidas: espingarda calibre 12 simples (nº 1379901, marca CBC), revólver calibre 38 (nº 2167383, cano 4, marca Taurus) e revólver calibre 38 (nº KK523862, cano 3, marca Taurus).As armas apreendidas pelos sem-terra do MT foram encaminhadas ao delegado de polícia de São Luiz do Quitunde, que indiciou dois seguranças da Usina Peixe, José Nunes Feitosa e José Geraldo dos Santos, por porte ilegal de armas. O motorista da usina, que também foi preso pelos sem-terra, não foi indiciado.Detidos foram liberadosApesar do porte ilegal de armas ser um crime inafiançável, o delegado liberou os três envolvidos, que respondem em liberdade. E ainda abriu inquérito contra o MT, acusando os integrantes do movimento de seqüestro e cárcere privado. Junto com as armas, o delegado de São Luiz do Quitunde apreendeu também cinco munições calibre 12 (intactas) e dez munições calibre 38 (intactas) ? que estavam em poder dos seguranças da Usina Peixe.Concluído o inquérito policial (nº 054/01), no âmbito da Polícia Civil, o juiz da Comarca de São Luiz, Odilon Marques Luz, encaminhou à Justiça Federal, por meio de um ofício datado de 4 de setembro de 2001, as armas e as munições. Na Justiça Federal, o inquérito virou processo, recebendo o número 2001.80.00.007398-0 e foi distribuído para o juiz da 3º Vara, Paulo Machado Cordeiro.PF entra no casoAtendendo solicitação do Ministério Público Federal, que através do ofício datado de 18 de abril de 2002 e assinado pelo procurador regional da República, Marcelo Toledo Silva, o juiz Paulo Machado pediu, no fim de abril, que a Polícia Federal procedesse a instauração de inquérito policial para apurar a denúncia de porte ilegal de arma contra os dois seguranças da Usina Peixe.O superintendente da PF, delegado Bergson Toledo, confirmou a solicitação de abertura de inquérito e disse que nos próximos dias estará dando início às investigações. ?Vamos ouvir as pessoas citadas?, afirmou Bergson Toledo, ao ser questionado se o usineiro Nivaldo Jatobá seria convocado para prestar depoimento na PF, para falar sobre a prisão de dois seguranças da usina dele, por porte ilegal de arma.Toledo disse ainda que o caso deverá ser investigado por um delegado lotado na Delegacia de Ordem Política e Social (Delops). Segundo o superintendente da PF, a Justiça remeteu à PF apenas os autos do processo. As armas e as munições apreendidas continuam em poder da Justiça Federal, guardadas no fórum da Serraria, em Maceió.Outro ladoA reportagem do Estado procurou ouvir o prefeito Nivaldo Jatobá, ligando para a prefeitura de São Miguel dos Campos, mas ele não estava. O irmão dele, Célio Jatobá, que é secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo, disse que ficou surpreso com a denúncia do MT, sobre a denúncia contra o prefeito.Célio ficou de acionar um advogado do Grupo Nivaldo Jatobá para dizer quais as providências que estão sendo tomadas em defesa dos dois seguranças da Usina Peixe, mas até a última sexta-feira à noite o advogado não tinha entrado em contato com a reportagem.Uma fonte da PF adiantou que os dois seguranças da Usina Peixe, quando prestaram depoimento à polícia, disseram que acharam as armas num canavial, deixadas possivelmente por assaltantes de banco. Para o coordenador do MT, Valdemir Agostinho, essa justificativa não atenua em nada o crime praticado pelos capangas de Nivaldo Jatobá.?Quando prenderam o José Rainha, líder do MST, não perguntaram a ele se a arma apreendida era achada ou não?, afirmou Valdemir, acrescentando que, com Rainha, a polícia usou a lei e o prendeu em flagrante, e, com os capangas do usineiro, prevaricou.

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