MuBE manda embora curador e extingue cargo

Jacob Klintowitz, que elevou público do local de 12 mil para 70 mil, se despediu por e-mail

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

Passaram-se dois anos desde que 700 paulistanos fizeram uma corrente para abraçar o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), na época ameaçado de perder a concessão do espaço que quase foi cassada pelo prefeito Gilberto Kassab. O motivo: uso indevido do local com feiras comerciais, desfiles de moda e festas. Somado aos problemas financeiros - o museu devia até para a equipe de suporte técnico -, a casa passou por uma reestruturação. Elegeu novo presidente, Jorge Landmann, um diretoria executiva com mais seis integrantes, e um curador, Jacob Klintowitz, figura-chave para que o MuBE ganhasse novos ares. Ontem, Klintowitz despediu-se do amigos e colaboradores num e-mail em que justificava sua saída. Escreveu que pretendia se dedicar a projetos pessoais. Ele até vai fazer isso, mas o motivo foi outro: "A diretoria do museu acha que a figura do curador não é necessária", explicou mais tarde Klintowitz. "Eles acreditam que estão jogando dinheiro fora. Estão me devendo quase um ano de salário." Klintowitz começou a trabalhar no MuBE a convite do amigo Landmann. "Ele tem um currículo impecável", diz o presidente. Gaúcho e conhecido crítico de arte, com mais de cem livros editados, foi curador de várias mostras, entre elas A Ressacralização da Arte, realizada no Sesc Pompeia, Um Século de Escultura no Brasil, apresentada no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e Victor Brecheret, mostra de inauguração do Museu Brasileiro de Escultura, há 14 anos, entre outras exposições. "Klintowitz aceitou o desafio de trabalhar no MuBE por amizade. Tanto que ele recebia um salário bem mais baixo do que o do mercado", diz Landmann. Um curador ganha cerca de R$ 20 mil por mês. Klintowitz ganhava menos da metade. E tinha como missão trazer grandes exposições internacionais de escultura para o museu. Não chegou a tanto. Em dois anos, com mostras como Maurício 50 anos e Oui Brasil, Klintowitz conseguiu aumentar o público de 12 mil para 70 mil por ano, em média. "Trabalhei todo esse tempo sem dinheiro." Quando a nova diretoria entrou, o museu devia cerca de meio milhão. Hoje, segundo Landmann, só devem mesmo para Klintowitz, cerca de R$ 50 mil. "A diretoria entende que arte não traz dinheiro para o museu, que o espaço deve ter outras utilidades", diz o ex-curador. "O museu tem de ser um espaço múltiplo", explica Landmann, que pretende administrar aulas de arte para alunos de escolas públicas. "Já fizemos exposições de quadros pintados por artistas com Mal de Alzheimer", diz o presidente. " Quero organizar mostras para cegos e instalar um novo tipo de museu." BATALHA Vale lembrar que há dois anos, quando o MuBE enfrentou uma verdadeira batalha com a Prefeitura, a então presidente do MuBE, Marilisa Rathsam, disse que os eventos eram necessários para manter o museu, que dependia de doações. O MuBE promovia inclusive festas, que irritavam a vizinhança. As reclamações ajudaram a engrossar as justificativas do subprefeito Andréa Matarazzo, que queria colocar ali um acervo da Pinacoteca.

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