Muda a defesa do casal Nardoni

Criminalista Roberto Podval, reconhecido pela habilidade com recursos, é contratado

, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 00h00

O casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, preso há um ano sob a acusação de matar Isabela Nardoni, de 5 anos, tem novo advogado. O criminalista Roberto Podval substituiu anteontem a equipe liderada por Marco Polo Levorin. Embora prefira não adiantar qual será a estratégia da defesa, Podval é reconhecido no meio jurídico pela habilidade com recursos. Desde que foi preso, em maio de 2008, o casal teve negados 11 pedidos de liberdade.Levorin disse que renunciou ao processo por "divergências processuais e profissionais". "Não vou entrar em detalhes sobre o motivo de nossa saída. Fizemos a nossa parte." O escritório de Levorin foi contratado por Antonio Nardoni, pai de Alexandre, nos dias seguintes ao crime, quando surgiram os primeiros indícios da participação do casal no assassinato. "Por também ser advogado (Nardoni atua como tributarista), o pai gosta de dar palpites sobre as decisões tomadas pela defesa e isso às vezes dificulta o trabalho e cria um desgaste", disse ao Estado um criminalista, que diz ter sido sondado por Nardoni no ano passado.Antes de anunciar quais medidas tomará, Podval diz que vai estudar o processo. "Até o fim desta semana quero me dedicar apenas aos autos. Depois disso, vou conversar com o Alexandre e a Anna Carolina", afirmou. Nos últimos anos, Podval esteve à frente de casos emblemáticos, como o do médico Farah Jorge Farah (condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato e esquartejamento de sua paciente Maria do Carmo Alves) e do iraniano Kia Joorabchian, investigado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro durante a parceria da empresa MSI com o Corinthians.Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá estão presos em penitenciárias de Tremembé, no interior do Estado. Em novembro, o 2º Tribunal do Júri decidiu que o casal deveria ir a júri popular pelo assassinato de Isabela. No mesmo despacho, o juiz Maurício Fossen determinou que os réus aguardassem o julgamento na prisão. A defesa recorreu, mas os pedidos foram negados tanto pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) quanto por tribunais superiores.O crime ocorreu na noite de 29 de março de 2008. Isabella - filha de Alexandre com a ex-mulher, a bancária Ana Carolina Oliveira - foi agredida, asfixiada e jogada do 6º andar do Edifício Residencial London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte de São Paulo. Após mais de um mês de investigação, o laudo do Instituto de Criminalística colocou o casal na cena do crime. A madrasta teria agredido e asfixiado a garota, enquanto o pai seria o responsável por cortar a tela de proteção da janela e jogar Isabela de uma altura de 20 metros.A defesa do casal afirma que Alexandre e Anna Carolina são inocentes. A tese é de que uma terceira pessoa - nunca identificada - teria invadido o apartamento e arremessado Isabela pela janela. Os desembargadores do TJ-SP encarregados de julgar o pedido de anulação da pronúncia (decisão de levar os réus a júri popular) contra o casal classificaram a atuação dos peritos contratados pela defesa como "um passe de mágica". FRASESMarco Polo LevorinDefensor do casal Nardoni desde o processo de acusação "Não vou entrar em detalhes sobre o motivo de nossa saída. Fizemos a nossa parte"

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