AYRTON VIGNOLA/AE-10/10/2010
AYRTON VIGNOLA/AE-10/10/2010

Mudança de estilo surpreende Serra

Tucano acredita que Dilma foi 'treinada' para usar declarações no programa eleitoral

Christiane Samarco e Julia Duailibi / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, admitiu ontem que ficou "surpreso" com a "agressividade" da petista Dilma Rousseff no debate de anteontem na TV Bandeirantes. Ele está convencido de que a adversária foi "treinada" para dar declarações no debate com o objetivo de usá-las no horário eleitoral - o que, de fato, aconteceu ontem.

Indagado sobre a falta de uma resposta enfática à insinuação da rival de que o PSDB defende "a privatização do pré-sal", Serra argumentou que não entendeu o que ela queria. "O que a Dilma disse foi ininteligível e sem sentido. Eu não entendi."

Para ele, as afirmações da petista são "factoides do PT". Depois de sugerir que os jornalistas telefonassem para David Zylbersztajn, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), no governo Fernando Henrique Cardoso, que Dilma citara no debate, Serra emendou: "São coisas estapafúrdias, feitas para a imprensa perguntar e repercutir." A candidata do PT disse que Zylbersztajn defendera num artigo a exploração do pré-sal apenas por empresas estrangeiras.

Serra afirmou que o PT "usa o negócio da privatização" sempre que a eleição se aproxima. "Eles são o partido mais privatizante do Brasil porque privatizam tudo para usar, como é o caso dos Correios. Agora vêm com essa coisa puramente eleitoral, e algumas coisas não dá nem para entender." Apesar da ofensiva da petista, o tucano disse que, ainda assim, não acha que ela deu o tom. "Eu consegui colocar bastante coisa de conteúdo."

"Mais Dilma". A atuação de Dilma causou surpresa também no comando da campanha do PSDB. Os tucanos e aliados não esperavam que ela fosse partir para o ataque logo no primeiro confronto direto do segundo turno.

Serra, que depois do debate foi jantar na casa do secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, disse no entanto que, apesar de surpreendido pelo comportamento mais agressivo da adversária, considerou que "ela se mostrou mais Dilma".

Na avaliação da campanha tucana, a candidata traçou uma estratégia de ataque para também agradar aos eleitores do PT. "Ela fez o debate para os dela", declarou o marqueteiro de Serra, Luiz Gonzalez. "Ela deve ter alguma estratégia secreta. Deve ter alguma explicação", analisou o governador de São Paulo, Alberto Goldman, ao fim do debate na Band.

Reunidos ontem em São Paulo, tucanos e aliados condenaram a atuação de Dilma. "Quem está na dianteira não bate", afirmou o senador Heráclito Fortes (DEM-PI). "Serra respondeu bem. Dilma estava muito ansiosa e nervosa", disse o ex-senador Jorge Bornhausen. Para o presidente do PPS, Roberto Freire, "quando um candidato parte para a agressividade, é que as coisas não estão bem".

Na opinião do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), Dilma foi orientada para se mostrar vítima e indignada. "Mas se mostrou agressiva. Se o Ciro (Gomes, coordenador da campanha de Dilma no Nordeste) ajudar mais um pouquinho, Dilma estará cada vez mais ela."

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