Mudança de foco é tática recorrente

Ao trazer a crise envolvendo o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, para a arena da bipolarização político-partidária, o PT repete uma estratégia recorrente. "O ônus da prova é de Serra", reagia o então presidente do PT, José Eduardo Dutra, em junho de 2010, no auge do embate político entre tucanos e petistas no período eleitoral, quando o ex-governador José Serra acusara a rival, Dilma Rousseff, de ser a responsável pela elaboração de dossiês com dados de tucanos.

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

A partir da cobrança do PSDB e de revelações sobre o acesso de dados fiscais de tucanos partindo de um escritório do Fisco no ABC paulista - terreno político do PT -, a Receita abriu sindicância interna. O caso caiu no esquecimento - o inevitável da política brasileira -, justificativas foram encontradas por servidores e até uma medida provisória do sigilo fiscal foi produzida pelas mãos do Planalto. Agora, o PT evoca a mesma tática e joga a culpa da violação de dados fiscais sigilosos da empresa de Palocci para o colo do PSDB. A ironia, além obviamente de tucanos também, quando encurralados, recorrerem ao artigo 333 do Código de Processo Civil (o ônus da prova), é que a salvação de Palocci surge da tergiversação da violação de um sigilo fiscal. Justo ele, o mesmo Palocci que caiu quando a digital da máquina do governo apareceu na violação do sigilo do caseiro Francenildo.

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