Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Mudanças no perfil etário do País podem ser vantajosas, diz IBGE

Instituto lança publicação com textos reflexivos sobre a nova estrutura demográfica brasileira, com menos crianças e mais adultos

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2015 | 10h48

RIO - As mudanças no perfil demográfico brasileiro nas próximas décadas, com progressiva queda da fecundidade e envelhecimento da população, resultam em oportunidades e desafios para o País, aponta publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta quarta-feira, 15.

A redução no número de crianças - em 2000, a taxa era de 2,4 filhos por mulher; em 2030, deverá ser de 1,5 - e o aumento do contingente de indivíduos economicamente ativos (de 15 a 64 anos) são duas novas realidades provavelmente vantajosas. Ao passo que o crescimento do volume de idosos é algo que demandará esforços dos governos. 

Produzida no escopo das projeções da população do Brasil, divulgadas em 2013, a publicação Mudança demográfica no Brasil no início do século 21: subsídios para as projeções da população do Brasil e das unidades da federação compila oito textos analíticos de pesquisadores da coordenação de população do IBGE, em que são tratados temas como taxas de mortalidade, diferenças regionais e migrações internas e internacionais.

O tema é o processo de transição demográfica por que passa a sociedade brasileira, ou seja, a passagem de cenário com altas taxas de mortalidade e fecundidade para outro em que ambas se encontram em níveis baixos. A consequência é a redistribuição na proporção de crianças, adultos e idosos. 

O menor número de crianças permitirá investir na qualidade da educação, o que poderá trazer benefícios a longo prazo. A redução no número de jovens de 15 a 29 anos - em 2000, a faixa era 28,2% da população; em 2030, deverá ser 21% -, resultado da queda da fecundidade, deverá facilitar o acesso ao mercado de trabalho, pois haverá menos concorrência. 

O chamado "bônus demográfico", que deverá ser verificado até 2022 ou 2023, tende a ser proveitoso por se caracterizar pela alta proporção de pessoas produtivas ante os dependentes (crianças e idosos). Em tese, o quadro resultará em desenvolvimento econômico.

"A demografia não vai dizer se o País vai avançar ou não, só indica aos oportunidades", ressalva o pesquisador Marden Campos, que participou da publicação. 

Passado o momento de transição, o contingente de idosos, segmento populacional que mais cresce no Brasil, começará a se fazer significativo. Serão precisos cuidados previdenciários e de saúde. Em 2000, eram 14,2 milhões de idosos; em 2030, o número estimado é 41,5 milhões. Outro desafio é o fluxo de imigrantes, notadamente da América Latina e da África, verificado nos anos 2000.

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