Mulher acusa policial do Bope de estupro no Morro da Mangueira

Jovem de 21 anos conta que policial a manteve sobre a mira de uma arma; moradores protestaram em delegacia

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo,

10 de setembro de 2009 | 15h13

Uma jovem de 21 anos acusou um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de tê-la estuprado durante incursão no Morro da Mangueira, zona norte, na manhã da quarta-feira, 9. Ela prestou depoimento na 17ª Delegacia de Polícia e disse que, apesar de não ter visto nome na farda do acusado, pode identificá-lo. Moradores da Mangueira fizeram manifestações contra a suposta violência sofrida pela jovem e queimaram pneus e um sofá. 

 

Presidente da Associação de Moradores da Mangueira deu coletiva nesta quinta. Foto: Fábio Motta/AE

 

Nesta quinta, Celso da Silva Perez, presidente da Associação de Moradores da Mangueira, falou sobre o caso. Segundo ele, um morador da comunidade anotou a placa do carro em que estava o policial. A jovem violentada diz que o policial usou preservativo. Ela seria namorada de um dos gerentes do tráfico na favela. Apesar dos moradores não terem feito uma nova manifestação, um Caveirão da polícia está no morro.

 

Durante protesto, moradores bloquearam R. Visconde de Niterói com ônibus. Foto: Marcos de Paula/AE

 

"Eu a encaminhei para fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal. Solicitei à Polícia Militar fotos de todos que participaram da ação para que ela possa tentar identificar o suspeito. Ela disse apenas que era um homem fardado de preto, por isso a suspeita de que seja alguém do Bope", afirmou o titular da 17ª DP, Túlio Pellozi.

 

Segundo o depoimento, a jovem sofreu violência sexual durante revista em sua casa. O PM a teria mantido sob a mira de uma arma. A jovem procurou a delegacia com pelo menos 50 pessoas da comunidade. Com cartazes escrito "Taradão do Bope", os moradores fizeram protesto em frente à delegacia. Em seguida, voltaram para a Mangueira e fizeram nova manifestação.

 

A PM informou que a operação contou com aproximadamente 90 homens de cinco batalhões, entre eles o Bope. A corporação disse ainda que "irá colaborar de todas as formas com a delegacia para que os fatos sejam esclarecidos".

 

A operação de quarta foi, pela primeira vez, liderada por uma mulher: a comandante do 4º Batalhão da PM, tenente-coronel Solange Helena do Nascimento Vieira, de 49 anos. O objetivo era cumprir 15 mandados de prisão e verificar denúncias anônimas. Houve troca de tiros. Foram apreendidas armas e drogas.

 

Colaborou Pedro Dantas

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