Mulher assaltada no Palácio muda versão dos fatos

Uma senhora de 71 anos, que afirmou ter sidovítima de seqüestro relâmpago e obrigada por dois marginais a sacar R$ 10 mil na agência bancária, no interior do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, desmentiu o fato e apresentou nova versão. Em depoimento informal, contou que foi vítima de um golpe de estelionato praticado por um homem que prometeu aplicar seu dinheiro com juros acima do valor de mercado.Deise Modolin Duarte de Azevedo, uma aposentada que trabalhou para a ex-primeira dama Lila Covas, registrou uma queixa no 6º DP ? Cambuci informando que foi abordada, por volta de 9h30 da manhã, na Rua Topázio, na Aclimação, por dois homens armados. Eles a teriam levado em seu próprio Fiat Tipo até o Palácio, no Morumbi, e forçado a retirar a quantia de sua conta corrente.A história intrigou a polícia. Segundo o Chefe da Casa Militar, Coronel Roberto Alegretti, o policial de plantão no portão principal observou apenas um homem na companhia de Deise, a quemhavia cumprimentado, pois já a conhecia. Ele registrou a entrada do carro, que estacionou na área própria. A aposentada e seu acompanhante caminharam tranqüilos em direção ao banco, ao ladodo heliponto. Saíram 15 minutos depois.Outro fato curioso é que Deise ficou, por algum tempo, sozinha com o gerente da agência e poderia ter mencionado o suposto seqüestro relâmpago e roubo, mas não o fez. Antes mesmo de ir àagência ela havia telefonado ao gerente e solicitado a reserva da quantia para retirar.No depoimento informal prestado no final da noite e início da madrugada, ela contou aos policiais que um homem se apresentou como especialista em finanças. Prometeu investir seu dinheiro emaplicações com lucros acima do mercado, mas, depois de apanhar o dinheiro, desapareceu. Não justificou a primeira versão, mas acredita-se que, ao perceber que caiu num "conto do vigário",resolveu responsabilizar a falta de segurança do Palácio para pedir indenização pela quantia perdida. Ela será intimada a comparecer novamente ao 6º DP para prestar novo depoimento. Pode ser indiciada por falsa comunicação de crime. Alegou estar estressada, razão pela qual pretende viajarpara o litoral, por alguns dias. Só depois irá comparecer à delegacia. A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Segurança Pública divulgou nota revelando a mudança de versão da aposentada, que havia atraído a atenção da mídia pela suposta vulnerabilidade na segurança do Palácio do Governo.

Agencia Estado,

04 de dezembro de 2003 | 05h35

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