Mulher de banqueiro é libertada de cativeiro em SP

Primeiro, os vôos de helicóptero para um levantamento aéreo. Depois, a ação de 40 policiais civis cercando uma pequena casa no meio de uma chácara, na zona sul de São Paulo, perto da Serra do Mar. "Não acredito que estou sendo solta, quero falar com meu marido. Obrigada, muito obrigada", repetia Sarina Dayan, de 68 anos, aos policiais que haviam acabado de arrombar o quarto onde ela era mantida em cativeiro há 14 dias. Abatida e com alguns arranhões, a vítima se beliscava, pois não acreditava que tudo chegara ao fim. Abraçou os policiais e foi levada de helicóptero à sede da Divisão Anti-Seqüestro (DAS).Sarina é mulher do banqueiro Alberto Dayan, um dos dois proprietário do banco de investimentos Daycoval. O banco é conhecido no mercado como um dos bancos familiares mais lucrativos do País. A especialidade da instituição é fazer empréstimos para pequenas e médias empresas, com faturamento anual de até R$ 30 mil. "Eles são muito especializados e têm uma taxa de inadimplência baixa, por isso o banco é tão rentável", diz um analista do mercado. O banco possui ainda empresas de empreendimentos, fomento comercial, metais e participações.Resgate de US$ 50 milA família estava negociando o resgate com os seqüestradores e já havia oferecido US$ 50 mil, mas a ação da polícia impediu o pagamento. Um seqüestrador escapou num carro preto quando viu o helicóptero da Polícia Civil se aproximar. Ele está identificado. Segundo o delegado Wagner Giudice, diretor da DAS, é Patrick Almeida Bastos, de 23 anos. Ele abandonou o carro para escapar dos policiais e entrou no meio da mata. Mais tarde, apanhou um ônibus.Na sede da DAS, o reencontro entre marido e mulher. O banqueiro chamava os policiais de "heróis". No começo, a família deixou a polícia fora do caso, como já havia ocorrido anteriormente, quando uma jovem da família havia sido seqüestrada, em 1996, e o resgate foi pago. A polícia investigou assim mesmo.Segundo o delegado Eduardo de Camargo Lima, da DAS, com base em informações de outras vítimas da quadrilha, os policiais souberam que o cativeiro ficava na região de Parelheiros, em uma pequena chácara. Os sobrevôos começaram no domingo para localizar o lugar, o que só foi possível na segunda-feira.Às 9 horas, 40 homens da DAS saíam da sede acompanhados do helicóptero. Chegaram às 10h30. Meia hora depois, invadiram a chácara. O aparelho pousou no pátio de uma escola próxima. Os homens do delegado Antônio Olim invadiram a casa. No primeiro cômodo, havia uma televisão, uma pistola e dois celulares. Ao lado, um banheiro e mais um quarto, onde estava Sarina, num colchão. Depois de encontrar o marido na DAS, ela foi levada ao hospital - no cativeiro ela sofreu um tombo. Sarina estava internada até o noite de hoje.A família agradeceu, por meio de uma nota oficial, a Deus, à DAS e aos que, com suas preces, apoiaram-na. "A vítima passa bem e tentaremos esquecer o corrido o mais rápido possível."O sequestroSarina foi seqüestrada às 9h30 de 26 de novembro, ao chegar a um asilo na zona sul. O caso só foi descoberto pela polícia porque o bando roubou a arma do segurança Fabio Espanhol, de 25 anos. Ele foi registrar o roubo do revólver calibre 38 no 36º Distrito Policial. Para a DAS, o grupo sabia dos hábitos de Sarina. Eles esperaram que o carro dela, blindado, em que ela estava com três amigas, o segurança e o motorista, parasse.Quando Espanhol abriu a porta, foi dominado. Dois seqüestradores desarmaram-no e tomaram-lhe uma corrente de ouro, um relógio, um celular e um rádio. Amarram-no e colocaram-no numa caminhonete, furtada um dia antes. Nela havia outro seqüestrador. Um quarto criminoso acompanhava a ação na retaguarda, atrás do carro da vítima, em outro veículo, não identificado pela polícia.Um dos bandidos entrou no carro dela e seguiu com o motorista, Sarina e as amigas. A caminhonete foi deixada pelo bando com o segurança na zona sul. Espanhol desamarrou-se, saiu do carro e chamou a Polícia Militar.O carro de Sarina com as amigas e com o motorista foi abandonado no Largo Senador Raul Cardoso. O criminoso perguntou quem era Sarina e colocou-a no carro que seguia a carro dela. Os bandidos telefonaram sete vezes para a família, que não revelou o valor do resgate. A polícia sabe que cinco homens participaram do crime, pois foram vistos no cativeiro. Suspeita-se que o bando seja autor de outros dois seqüestros.Neste ano houve 305 seqüestros no Estado - foram 307 em 2001. O número está caindo a cada trimestre. No primeiro, foram 110 e neste, até hoje, 36. Dos casos de 2002, a polícia esclareceu 131, prendeu 389 acusados e achou 79 cativeiros.

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