Mulher de Carambola, do PCC, ganha mesada de R$ 15 mil

A estudante de direito Jaqueline Maria Afonso Amaral de Moraes não trabalha, não tem pai rico, nem é mulher de empresário ou executivo bem sucedido. Mas todo mês recebe uma mesada em torno de R$ 15 mil, conforme revelam os extratos bancários apreendidos pela Polícia Civil na terça-feira, 25, em sua casa. Jaqueline é casada com o preso Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os sinais de sua vida confortável também são evidentes no belo apartamento classe média alta no bairro Vila Santa Paula, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, e na relação de artigos comprados no mês passado: uma calça jeans Dolce & Gabbana de R$ 370, uma camiseta Hugo Boss de R$ 200 e uma Fórum de R$ 120. Também comprou quatro cuecas Yves Saint Laurent (R$ 250 cada) para presentear o marido na prisão. Grávida de nove meses, Jaqueline não foi presa por ostentação de riqueza, mas terá de explicar ao Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) a origem de sua gorda conta bancária. Num único dia, a mulher movimentou mais de R$ 4.500, segundo os extratos. Também constam da apreensão um caderno de anotações, onde Jaqueline relacionava as suas despesas. Na lista está o gasto de R$ 1.700 de prestação com a reforma do quarto do bebê e a mensalidade do curso de direito na Universidade Paulista (Unip). Nas últimas páginas do caderno estão relacionados 20 números de contas correntes de terceiros, entre eles o da ex-mulher do assaltante Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Em uma carta enviada à mulher, Julinho Carambola levanta a suspeita sobre a licitude do dinheiro da mulher. "Vou pedir ao meu irmão que deposite R$ 5 mil para você (...) Me envie a relação de todos os seus gastos para que eu não permita que nada te falte", diz um trecho de uma carta. Na correspondência, Carambola diz a ela que não entende o motivo de ter retornado para o Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes."Estou com a minha consciência tranqüila de que nada fiz para estar neste lugar", afirma. Carambola foi reinternado no regime disciplinar diferenciado (RDD) junto com outros cinco líderes do PCC no último dia 14, por decisão da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O grupo é acusado de comandar as 74 rebeliões sincronizadas entre os dias 12 e 15 de maio, no Estado, e ordenar os atentados às forças de segurança do Estado. As ações provocaram a morte de mais de 50 inocentes.

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