Mulher de Marcola pega 8 anos

TJ condena estudante por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha; líderes do PCC são transferidos de prisão

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2008 | 00h00

A "primeira-dama" do crime organizado de São Paulo, a estudante de psicologia Cynthia Giglioli da Silva, de 31 anos, foi condenada a 8 anos de prisão por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha pela 11ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. Casada com o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Camacho, o Marcola, a estudante está foragida. A decisão dos desembargadores do TJ é definitiva, quanto ao mérito do caso, cabendo recurso só nos tribunais superiores de Brasília.A decisão foi tomada em sessão ocorrida no dia 16. Dois dias depois, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) removeu da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau dois líderes do PCC, Julio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, e Daniel Vinícius Canônico, o Cego, para o Centro de Readaptação Penitenciária (CRP), o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. Carambola é o segundo homem na hierarquia do PCC. Canônico, por sua vez, é tido como o porta-voz de Marcola.A polícia não sabe se as transferências estão ligadas à condenação de Cynthia. Existe o temor de que a possível prisão da mulher de Marcola, em cumprimento ao mandado de prisão, leve a uma reação da facção criminosa como em 2006, quando o PCC desencadeou três ondas de atentados no Estado.Marcola, que permanece na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, casou-se com Cynthia quando estava no CRP, em janeiro do ano passado. Ele e Cynthia haviam namorado durante sete anos. Em julho de 2005, Cynthia já havia sido presa pelos policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). A operação levou à apreensão de um arsenal avaliado em R$ 500 mil, R$ 150 mil em dinheiro, cinco carros, uma motocicleta e toda a contabilidade do PCC, que era mantida pelo bandido Deivid Surur, o DVD.Cynthia, segundo apuraram os investigadores do Deic, recebia uma mesada de R$ 15 mil da facção - ao todo, os documentos apreendidos mostravam que o PCC movimentava R$ 1 milhão por mês. Além dela e de Surur, executado na prisão por ordem da cúpula da facção, outras seis pessoas foram presas pelo Deic, entre elas o investigador da Polícia Civil Paulo Humberto Mangini, de 27 anos, condenado pelo TJ a 4 anos de prisão sob a acusação de formação de quadrilha. A decisão do TJ significou uma reforma da sentença da 17ª Vara Criminal de São Paulo, que havia absolvido Mangini e Cynthia.

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