Mulher de prefeito deixa cargo em Campinas

Rosely Nassim segue orientação de advogados e pede demissão da chefia de gabinete de Dr. Hélio; interrogada por promotores, ela ficou em silêncio

Tatiana Fávero / CAMPINAS e Fausto Macedo / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2011 | 00h00

Orientada por advogados criminalistas que contam larga experiência na defesa de acusados por corrupção e desvio de dinheiro público, Rosely Nassim Jorge dos Santos, primeira-dama de Campinas, pediu demissão ontem do cargo de secretária chefe de gabinete do marido, Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), prefeito de Campinas.

Dr. Hélio aceitou o pedido da mulher. Afirmou que é "um gesto de grande desprendimento, tendo em vista que ela (Rosely) é alvo de investigação". "O objetivo de Rosely é preservar a administração pública", disse.

A medida foi anunciada à tarde, quando Rosely era submetida a interrogatório por promotores especialistas em ações contra o crime organizado.

Os promotores atribuem a Rosely o comando de uma quadrilha de empresários, lobistas e servidores. Na audiência, de três horas, Rosely ficou em silêncio - 41 perguntas foram lançadas nos autos, mas nenhuma foi respondida por ela, sob argumento de que não teve acesso à integra do procedimento que vasculha sua vida pessoal e profissional.

A saída de Rosely faz parte da estratégia para driblar eventual pedido de sua prisão. Ao afastar-se da Prefeitura, formalmente, ela neutraliza suspeita de que poderia intimidar servidores arrolados como testemunhas.

Dr. Hélio é alvo de ofensiva da oposição na Câmara, que quer sua cassação. O advogado José Roberto Batochio foi categórico. "A Procuradoria-Geral de Justiça já afirmou por duas vezes ao Tribunal de Justiça que não há nas investigações qualquer indício contra Dr. Hélio. Na Câmara, há uma manobra política contra Dr. Hélio."

Dinheiro. O advogado Ralph Tórtima confirmou que seu cliente, o vice-prefeito Demétrio Vilagra (PT), admitiu ter recebido ofertas dos diretores da Global, empresa que prestava serviços à Prefeitura. "Ele disse que os empresários se colocaram à disposição para o que ele precisasse. Nessa linha de enredamento, de ficarem bem com ele, com o governo. Mas ele disse não ter aceitado coisa alguma".

Vilagra confirmou a posse de R$ 60 mil em dinheiro encontrado em sua casa. Segundo Tórtima, o vice-prefeito alegou que o valor serviria para pagar parte de dívida de campanha. O dinheiro seria proveniente da venda de dois carros e do FGTS.

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