Mulher de réu do caso Bernardo diz que foi pressionada a mentir

Luciane Saldanha, mulher de Evandro Wirganovicz, prestou depoimento contraditório nesta quinta-feira

Lucas Rivas, Especial para O Estado

18 de setembro de 2014 | 16h12

PORTO ALEGRE - A mulher do réu Evandro Wirganovicz prestou um depoimento contraditório durante a manhã desta quinta-feira, 18, no Fórum de Frederico Westphalen, no norte do Rio Grande do Sul. Luciane Saldanha é casada com Wirganovicz, acusado de ter cavado o buraco para ocultar o cadáver do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos. Ele é irmão de Edelvânia Wirganovicz, que confessou detalhes do crime à Polícia Civil gaúcha.

Em uma hora de depoimento, Luciane Saldanha afirmou que Evandro Wirganovicz saiu para pescar, dois dias antes do crime, em um rio próximo de onde a cova foi aberta. Esta versão não tinha sido alegada à polícia. Além disso, Luciane havia relatado à investigação que estava desconfiada do marido estar pescando durante a noite. Porém, hoje à Justiça, a versão foi novamente rechaçada. 

Luciane Saldanha também disse ter sido pressionada por policiais a mentir para amenizar a pena do marido. "Eles (os policiais) diziam para eu confessar que ele fez o buraco. Eles diziam que se eu não confessasse que ele fez o buraco ele ia pegar mais tempo de cadeia", disse. Durante depoimento, ela ainda sustentou que acredita na inocência do marido e garantiu que o vínculo com a cunhada Eldevânia Wirganovicz terminou depois da divulgação do crime.

A audiência foi presidia pelo juiz Jairo Cardoso Soares e terminou por volta das 12h30 desta quinta-feira,. Ao todo, foram ouvidas oito testemunhas do processo. Estiveram presentes os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz, que respondem como réus ao processo junto do pai do garoto, Leandro Boldrini, e da madrasta, Graciele Ugulini.

Em abril deste ano, Bernardo foi encontrado morto em Frederico Westphalen, a 80 quilômetros da residência da família, que fica em Três Passos. O garoto tinha 11 anos. Foram acusados de planejamento, execução e participação no crime o pai do menino Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz. Os quatro estão presos preventivamente até serem julgados.



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