Mulher de Roriz dá vexame na TV

Levada a assumir vaga do marido, barrado pela Lei da Ficha Lima, Weslian mostrou despreparo e se perdeu entre perguntas e respostas

Carol Pires, Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

Recém-catapultada à disputa ao Palácio do Buriti, Weslian Roriz (PSC) fez ontem a sua estreia em debates na televisão, na Rede Globo, mesmo dia em que teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral. A mulher do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, barrado pela Lei da Ficha Limpa, mostrou pouca desenvoltura à frente das câmeras.

Weslian agarrou-se a papéis preparados pela assessoria, não soube aproveitar o tempo destinado às respostas e confundiu-se ao fazer perguntas. Tampouco manteve contato visual com os telespectadores.

Ao ser questionada sobre a ocupação desordenada do Distrito Federal, Weslian saiu em defesa das "pessoas humildes" que vieram morar em Brasília. "São pobres, trabalhadores, pessoas humildes. O que a gente poderia fazer se não fosse criar essas cidades que o meu marido criou?", rebateu, em defesa das cidades-satélites legalizadas nos governos de Roriz.

A resposta foi tão curta e sucinta (Weslian não usou nem metade do tempo) que levou a jornalista Cristina Serra, mediadora do debate, a perguntar se realmente já havia completado a réplica.

Em outro momento, quando o candidato do PT e líder nas pesquisas, Agnelo Queiroz, quis saber as propostas da candidata para a área de transporte público, Weslian desviou de assunto. "Eu gostaria de dizer ao senhor o seguinte: o senhor foi do Partido Comunista, que não acredita em Deus, e agora está no PT, que expulsou quem é contra (o aborto). O senhor é a favor ou contra o aborto?", indagou. Acuado, Agnelo respondeu em outro bloco que era "cristão" e "contra o aborto". Sem citar nomes, o ex-ministro do Esporte criticou pessoas que "usam o nome de Deus para fazer todo tipo de maracutaia nessa cidade".

Confusão. Quando o assunto foi corrupção, Weslian garantiu que não toleraria irregularidades caso seja eleita, mas confundiu-se na hora de elaborar a resposta. "Quero defender tudo que for de corrupção", disse, para depois corrigir-se. "Tudo que for de corrupção não vou aceitar, quero falar que agora vai começar um novo plano de governo. Não vamos ter nenhuma corrupção, quero dizer que nosso governo vai ser de muita transparência, muita transparência mesmo. Quero dizer pro povo de Brasília que pode confiar em Weslian", disse.

Agnelo também foi alvo dos adversários Toninho (PSOL) e Eduardo Brandão (PV), que criticam as alianças do petista. "Sua coligação tem partidos e políticos que não respeitam o meio ambiente. Estou falando dos candidatos do PMDB e de outros partidos, que têm alianças com setores que infelizmente destroem o meio ambiente na capital do nosso País. Espero que um governo sério, honesto ético que vá fazer a mudança pra coibir a grilagem de terras", condenou Toninho.

O candidato do PSOL aparece em terceiro lugar nas pesquisas e pode empurrar a disputa para o segundo turno.

Antes do debate, as imediações da Globo, no centro de Brasília, viraram cenário de empurra-empurra, troca de ofensas e agressões entre militantes de Roriz e do PT. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, dentre elas dois cinegrafistas e um repórter fotográfico, que levaram pedradas dos populares. O Toyota Corolla que trazia o candidato do PV teve o vidro traseiro quebrado ao entrar na emissora. Ninguém foi preso.

Casal 20. Na sexta-feira passada, Roriz desistiu da candidatura, após o impasse do Supremo Tribunal Federal a respeito da validade da Lei da Ficha Limpa - o julgamento está empatado, em 5 a 5. O PSC aposta na vinculação da imagem da mulher à do marido - um dos slogans da campanha é "casal 20", alusão ao número da legenda. Na TV, o locutor diz que Weslian dará continuidade "ao jeito Roriz de governar".

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