Mulher diz estar 'possuída' e mata dois filhos em Maceió

Ela afirmou que 'entidade' queria se vingar por ela ter mudado de religião; terceiro filho conseguiu fugir

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2009 | 15h45

Arlene Régis dos Santos, de 35 anos, foi presa nesta terça-feira, 29, acusada de assassinar dois dos seus três filhos, em Maceió. Segundo a polícia, Arlene teria estrangulado o filho de 7 anos e matado a facadas o de 11 anos, após um "ritual macabro". A mãe disse ao delegado Antônio Carlos Lessa, que estava "possuída por uma entidade quando matou os filhos".

 

As crianças foram mortas por volta das 3 horas da madrugada, em uma residência de classe média, nas imediações do Aeroclube de Maceió. A mãe das crianças foi presa pela polícia ainda na cena do crime, após uma denúncia feita pelos vizinhos. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram tudo revirado, velas acesas ao lado de fotos das crianças, e Arlene ao lado da cama onde asfixiou e esfaqueou os filhos.

 

O terceiro filho, de 14 anos, também seria assassinado, mas conseguiu fugir. "O mais velho disse que os três dormiam em um quarto, mas na noite de ontem Arlene teria insistido para que os dois menores dormissem no quarto do casal, que enfrentava mais uma crise no relacionamento, resultando na ida do pai para a residência da família", contou o delegado.

 

Antônio Carlos Lessa disse ainda que a mãe das crianças precisou de atendimento médico dentro da delegacia, porque estava muito agitada. "Tivemos que chamar uma unidade do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) para que medicasse ela, que estava completamente tresloucada", afirmou. Quando ficou mais calma, Arlene contou que havia recebido uma "entidade e esta entidade dizia a ela que vinha buscar seus filhos".

 

De acordo com Lessa, na delegacia, Arlene contou que essa tal "entidade que a possuía" queria vingar-se dela, porque ela tinha deixado o candomblé e passou a frequentar a Igreja Universal do Reino de Deus. "Ela preparou todo um ritual macabro e disse que dançava, na frente das velas e das fotos dos filhos, que seriam sacrificados a pedido dessa tal 'entidade'", contou o delegado.

 

Depois desse ritual, Arlene teria ido ao quarto onde os filhos dormiam e usado um pano para asfixiar o menino mais novo, que morreu sem esboçar reação. Já o garoto de 11 anos teria tentado se desvencilhar da mãe durante a asfixia e foi esfaqueado várias vezes, no peito e no pescoço. O filho mais velho ainda chegou a ser ferido de raspão, mas conseguiu fugir e buscar ajuda dos vizinhos.

 

O crime revoltou familiares, amigos e vizinhos, que ficaram chocados com a tragédia. O pai das crianças, Abelardo Pedro Nobre Júnior, é proprietário de um cursinho preparatório para vestibular e concursos, e também já foi candidato a deputado estadual em Alagoas. Nesta manhã ele estava no Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima, a espera da liberação dos corpos dos filhos, mas não quis falar sobre a tragédia.

 

O avô das crianças disse à imprensa que Arlene sempre foi uma pessoa instável e que estaria envolvida com candomblé. Ainda segundo o sogro, o relacionamento do casal era tumultuado e marcado pelos rompantes da mulher. Depois de prestar depoimento à polícia, Arlene foi levada para uma cela da Delegacia de Plantão II, em Salvador Lyra. Ela foi autuada em flagrante por duplo homicídio e tentativa de assassinato.

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