Mulher é acusada de mandar carta racista a agentes que rebocaram seu carro

'Tem inveja de mim porque sou branca, né? Se tu tivesses vivendo na época dos meus bisavós e dos teus antepassados, hoje tu estaria lambendo o chão que eu piso', escreveu

Carmen Pompeu, O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2014 | 20h04

FORTALEZA  - "Seus desgraçados, amaldiçoados, que o diabo, o satanás, o senhor das trevas acompanhe vocês a partir de agora." Assim começa a carta cheia de xingamentos e conteúdo racista que três agentes do Departamento Estadual do Trânsito, do Ceará (Detran-CE), receberam após rebocar, no dia 11, carros estacionados em locais proibidos na Rua Marcos Macedo, em Aldeota, área nobre de Fortaleza.

Irritada por ter seu veículo rebocado do local onde estava parado irregularmente - uma vaga destina a táxi -, uma mulher foi no dia seguinte até a sede do órgão entregar a carta ao departamento de Fiscalização. "Hoje tu vive como gente, por causa da maldita princesa Isabel. Senão, hoje, tu viverias no tronco levando chicotada nos lombos. E lamberias o chão que eu piso", escreveu, em outro trecho, que era direcionado ao motorista do reboque, Mauro César Soares. Perplexo, ele disse que nunca havia passado por uma situação como essa. "Ao contrário, recebi elogios", disse.

"Tem inveja de mim porque sou branca, né? Se tu tivesses vivendo na época dos meus bisavós (que eram senhores portugueses, donos de escravos) e dos teus antepassados, hoje tu estaria lambendo o chão que eu piso. Morre de inveja, né, desgraçado, amaldiçoado: tu nunca será como eu. Nunca estará à minha altura", escreveu a mulher.

A suspeita de ser a autora do documento compareceu nesta segunda-feira, 24, à Superintendência da Policia Civil, no centro de Fortaleza, mas preferiu ficar em silêncio. Na semana passada ela já havia faltado a outros dois depoimentos. Em entrevista por telefone a uma emissora de TV local, a motorista disse que não havia assinatura na carta e que por isso nada poderia ser provado contra ela.

O delegado que apura o caso, Gustavo Pernambuco, disse ter ficado surpreso com o conteúdo e apontou alguns crimes no documento, como injúria racial e desacato. A polícia vai agora encaminhar o caso para o Ministério Público. "Agora vou dar o saneamento do inquérito policial e encaminhar para o juiz. Lá ela terá a oportunidade de mais uma vez de falar e fornecer suas versões sobre os fatos", disse o delegado.

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