Mulher e cunhada de tenente-coronel encomendam morte para ganhar pensão

As duas são suspeitas de planejar o crime; Sérgio Murilo Cerqueira foi executado com um tiro na cabeça

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2015 | 22h05

BRASÍLIA - Para receberem pensão por morte no valor estimado de R$ 10 mil, a cunhada e a mulher do tenente-coronel do Exército Sérgio Murilo Cerqueira, de 43 anos, encomendaram a morte dele na noite desta sexta-feira (15), em Brasília. Esta é a acusação que a Polícia Civil do Distrito Federal fará, após ter prendido as duas em flagrante na tarde deste sábado, em casa. Ao planejarem o crime, vão responder por homicídio qualificado – com pena que pode variar de 12 a 30 anos.

A cunhada foi a primeira a confessar o plano durante depoimento na noite deste sábado, mas a informação foi confirmada pela mulher do tenente na sequência para a polícia, que já tinha prova da participação das duas no episódio. Cerqueira foi executado com um tiro na cabeça. A cunhada é que teria, de acordo com a Polícia Civil, feito as negociações com os executores, pois conhecia um deles. 

A primeira linha de investigação foi de que se tratava de um latrocínio, quando há roubo seguido de morte, mas posteriormente as investigações indicaram que o crime já estava sendo planejado “há meses”. Os nomes das duas e dos demais presos ainda são mantidos sob sigilo.

De acordo com a polícia, o casal estava em processo de separação e a esposa não teria aceitado o valor de R$ 2,5 mil de pensão alimentícia. Ela chegou a ser rendida com o militar na noite de sexta, por volta das 23 horas, mas acabou sendo liberada primeiro na Asa Norte, bairro nobre de Brasília. Os suspeitos, ainda de acordo com a Polícia Civil, continuaram com o homem no carro dele. 

Com a hipótese inicial de sequestro seguido de homicídio, que teria ocorrido após a identificação de que se tratava de um militar, a equipe da Polícia Militar do Distrito Federal achou o carro da vítima ao lado de uma casa, onde havia uma festa. Prendeu seis pessoas. De acordo com a assessoria de imprensa da PM, quatro dos detidos teriam participado diretamente da execução do oficial, enquanto as outras duas pessoas foram enquadradas no crime de receptação.

Os quatro “sequestradores” – entre eles, um menor de 17 anos – soltaram a mulher perto do local da abordagem e seguiram com o tenente coronel, que foi encontrado morto durante a madrugada em São Sebastião, região administrativa do DF localizada há cerca de 20 km do centro de Brasília. 

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