Mulher é presa por maus-tratos à filha que morreu

A doméstica Dolores Fogaça de Almeida, de 38 anos, foi presa em flagrante, nesta quinta-feira, em Sorocaba, acusada de ter contribuído com descuido e maus tratos para a morte da filha Helena de Almeida Ferreira, de 5 anos. A menina foi internada de madrugada na Unidade de Pronto-Atendimento Humberto de Campos com quadro de anemia profunda e desnutrição e não resistiu. A criança tinha feridas em todo o corpo e a cabeça cheia de piolhos. A delegada Sueli Morales chegou a lamentar ser obrigado a prender a mulher, mãe de outros sete filhos, mas disse que estava cumprindo a lei. Ela foi levada para a Cadeia Feminina de Votorantim. A pena para maus tratos, no caso de morte, é de 4 a 12 anos de prisão, aumentada em um terço se a vítima é menor de 14 anos. Esse tipo de prisão, por falta de cuidados com os próprios filhos, é bastante raro. O médico Jeferson Rodrigues, que atendeu a criança, acionou o Conselho Tutelar depois de verificar que Helena tinha sinais evidentes de falta de cuidados e de maus tratos. Segundo ele, a morte ocorreu por causa da desnutrição profunda, agravada pela falta de higiene. O conselheiro Yoshihima Kato foi à casa da família, no Jardim Itanguá II, e verificou que os irmãos da menina morta também vivem em situação de descaso principalmente com a alimentação e a higiêne. Os vizinhos contaram que Helena estava com febre há três dias, mas a mãe dizia que era "frescura" dela. A mulher, às vezes, chegava a ficar dois dias sem preparar comida para as crianças.No plantão policial, a doméstica contou que trabalha como diarista e não ganha o suficiente para dar uma vida melhor para os filhos. "Trato eles bem na medida do possível." Ela disse que Helena era de "comer pouco" mesmo quando havia comida. A irmã mais velha, de 19 anos, que não mora com a família, ajudava a sustentar as crianças. O marido de Dolores, Germano Ferreira, pai de sete dos oito filhos, não trabalha e não ajuda a cuidar das crianças, segundo a mulher. Ele não foi encontrado hoje pela polícia e será intimado a comparecer na Delegacia de Defesa da Mulher para prestar esclarecimentos. O Conselho Tutelar acionou a Vara da Infância e da Juventude para decidir o destino das outras crianças, cujas idades variam de 3 a 16 anos. As mais novas podem ser encaminhadas para adoção.

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