Mulher em fuga fica 6 horas presa na rede pluvial de Curitiba

Luci Machado Santana, de 26 anos, fugia de 3 rapazes que a ameaçavam; mulher está internada em hospital

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo,

21 de fevereiro de 2008 | 19h30

Luci Machado Santana, de 26 anos percorreu, durante quase seis horas, cerca de 15 quarteirões pela rede pluvial de Curitiba, para, segundo ela, fugir de três rapazes que a ameaçavam, na manhã de quarta-feira, 20. A mulher foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros em um bueiro na esquina da Avenida Visconde de Guarapuava com a Rua João Negrão, no centro da cidade.  As galerias subterrâneas de Curitiba têm vários diâmetros, que vão desde 40 centímetros até 2,2 metros, além das ramificações. No subsolo, a mulher precisou enfrentar o ar rarefeito, a contaminação de esgoto em alguns lugares e a proliferação de animais peçonhentos.  Luci permanecia internada na tarde desta quinta-feira, 21, no Hospital Evangélico de Curitiba. De acordo com nota do diretor clínico, Flamarion dos Santos Batista, ela respirava normalmente, apesar de ainda requerer "cuidados intensivos".  Pouco antes de entrar no hospital, ela deu entrevista à Rádio BandNews e declarou que chegou a beber água da galeria, pois ficou rastejando e sentiu muita sede. Entre o local que entrou e onde foi resgatada não existem galerias em linha reta, por isso estima-se que ela tenha percorrido pelo menos 2 quilômetros. Ameaça de morte A moça disse à rádio que não tem qualquer profissão e que estava com um colega nas proximidades do Shopping Mueller, por volta das 7 horas, quando três pessoas armadas ameaçaram o rapaz de morte. Ele conseguiu fugir, mas ela foi jogada no Rio Belém que, naquela região, é raso e permanece aberto.  "Disseram que meu amigo estava devendo droga", afirmou. De acordo com ela, os rapazes a perseguiram. Por isso, depois de entrar na canalização do rio, não pensou em voltar para trás e acabou atingindo a rede pluvial. "Tinha que ir apalpando a parede, não conseguia mexer as pernas e estava muito frio", descreveu. Luci disse ter visto outros bueiros no caminho, mas não conseguia ter acesso a eles. Normalmente, eles ficam a três ou quatro metros da base das galerias. Somente quando chegou ao existente na Avenida Visconde de Guarapuava, conseguiu ficar em pé e colocar a mão para fora pedindo socorro.  Pessoas que passavam pelo local, por volta das 11h30, notaram sua presença e acionaram o Corpo de Bombeiros. O trabalho para liberá-la demorou cerca de uma hora, pois a tampa estava bem firme. Foi arrancada com auxílio de marretas e de um guincho.  A mulher apresentava algumas escoriações quando foi retirada do local. Segundo o hospital, ela ficará em observação.

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