Mulher era mantida em cárcere privado em Piedade

O caseiro Pedro de Queiroz, de 32 anos, mantinha a mulher Vilma de Oliveira, de 28, com quem tem três filhos, em cárcere privado na Fazenda Santa Olívia, no bairro rural do Funil, em Piedade, a 98 quilômetros de São Paulo. Vilma era proibida de sair de casa e ainda sofria torturas. Ela teve cinco dentes arrancados com alicate pelo marido.Nos últimos 12 anos, a mulher saiu de casa apenas seis vezes para o parto dos filhos e consultas médicas. Ela era também obrigada a se prostituir. Vilma conseguiu chamar a atenção da polícia porque o marido comprou um celular. O delegado Carlos Alberto de Oliveira foi ao sítio no fim da tarde de ontem e prendeu Queiroz. A mulher viajou na companhia do pai e dos filhos para Cajati, no Vale do Ribeira. A fazenda fica numa região isolada do município. Segundo o delegado, não há casas próximas, nem pessoas que pudessem inteirar-se do drama vivido pela mulher. Depois que saiu de casa para morar com o caseiro, em 1988, Vilma não fez mais contato com sua família. Ela era ameaçada de morte pelo marido caso tentasse fugir. O castigo era arrancar-lhe os dentes com o alicate. Antes, Queiroz usava um prego para cortar a gengiva. Vilma só conseguiu denunciar o marido porque este comprou um celular para cuidar dos serviços da fazenda. Ela teve acesso ao aparelho e ligou aleatoriamente para um telefone da cidade dos seus familiares. Como a cidade é pequena, o pai dela, Crispim de Oliveira, foi avisado. Ele a procurou na fazenda e soube da situação em que a filha vivia. O caseiro foi preso. Ele responderá a processos por cárcere privado e maus tratos.

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