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Mulher morre após cair do 3º andar de um prédio em Brasília; caso é investigado como feminicídio

Segundo a Polícia Civil, marido é suspeito de jogar a vítima pela janela e afirma que não se lembra do que aconteceu no apartamento; testemunhas dizem que casal brigava constantemente, com agressões, xingamentos e ameaças

Jéssica Otoboni, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2018 | 07h48
Atualizado 07 Agosto 2018 | 12h48

SÃO PAULO - A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de uma mulher de 37 anos após a queda do 3.º andar de um apartamento na Asa Sul, em Brasília. O caso está sendo investigado como feminicídio. O crime aconteceu na segunda-feira, 6, no bloco T da quadra 415. Segundo a corporação, o marido da vítima, de 44 anos, é suspeito de jogá-la pela janela.

Os agentes foram acionados por volta das 18h. Uma testemunha que passava pelo local viu a queda, interfonou no apartamento da vítima e perguntou ao marido se ela havia caído. Ele não respondeu à pergunta, desligou e se trancou no apartamento.

Os policiais tentaram entrar na residência, mas o suspeito se recusou a abrir a porta, informou a Polícia Civil. Eles então arrombaram a porta do apartamento e do quarto no qual ele estava trancado. O marido alegou que estava dormindo e não ouviu os agentes.

De acordo com a corporação , o marido afirma que não se lembra do que aconteceu no apartamento e não sabe a origem dos ferimentos em suas mãos e braços. Ele também admitiu que é alcoólatra e que bebeu cachaça durante o dia. Outras seis pessoas foram ouvidas na delegacia.

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A vítima chegou a ser levada pelo Corpo de Bombeiros do DF ao Hospital de Base de Brasília, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Ela apresentava algumas escoriações no braço direito, porém a corporação não soube informar se eram recentes.

O marido foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e depois à carceragem da Defensoria Pública. Ele responderá por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, sem possibilidade de defesa e feminicídio) sob a suspeita de ter assassinado sua mulher.

Segundo a Polícia Civil, o casal possuía histórico de violência doméstica. Testemunhas informaram que as brigas entre os dois eram frequentes, com agressões, xingamentos e ameaças recíprocas. Os policiais ainda irão verificar se há imagens que possam ajudar a esclarecer os fatos.

Paraná

No dia 22, a advogada Tatiane Spitzner morreu após cair do quarto andar do prédio onde morava com o marido, Luiz Felipe Manvailer, em Guarapuava, a 257 quilômetros de Curitiba. Na segunda-feira, ele foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) pelo crime de feminicídio. O professor de biologia é suspeito de jogar a mulher da sacada.

Imagens de câmeras do prédio onde o casal morava flagraram uma série de agressões de Manvailer contra a vítima nos momentos que antecederam sua morte. 

Além do crime de feminicídio, também foram apresentadas como qualificadoras do homicídio: motivo fútil, morte mediante asfixia e uso de meio que dificultou a defesa da vítima. Manvailer foi denunciado pela prática dos crimes de cárcere privado (por ter impedido a saída da mulher do apartamento) e fraude processual (por ter removido o corpo da vítima do local da queda e limpado o sangue deixado no elevador).

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