Mulher na Vara reúne 70 foliãs em Olinda

Ladeiras da cidade têm tradicional encontro de maracatus

O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 00h00

Cerca de 70 mulheres subiram na vara ontem no desfile da troça carnavalesca Mulher na Vara, que saiu da Rua da Boa Hora, com a orquestra de frevo do maestro Lessa, em meio a muita irreverência e animação, típicos de Olinda.Criada em 1993, a troça surgiu de uma brincadeira, assim como tudo que acontece no carnaval da cidade. Naquele ano, uma moça levou uma queda, em plena folia, e ficou sem poder andar. Com a cidade entupida de gente não havia como transportá-la em meio à multidão. Dois rapazes tiveram a idéia de arranjar um pedaço de pau para levar a amiga e, por onde passavam, gaiatos gritavam "olha a mulher na vara". Assim nasceu a troça que hoje carrega uma vara de cinco metros. Quem mais se equilibra, mais recebe aplausos. A Porta é outra troça que se consolidou como uma das mais animadas de Olinda. Surgiu há 20 anos, quando foliões que alugaram uma casa para passar o carnaval na cidade usaram uma porta velha encontrada no local para sair pelas ruas carregando-a como estandarte. A brincadeira, antes acompanhada de um batuque improvisado, tem orquestra de frevo das melhores. No percurso, homens e mulheres sobem na porta dispostos a tirar a roupa. Quem não se desnuda recebe vaias. A Porta sai hoje. Já que tá dentro deixa ,Segura o cu, Que bosta é essa?, I love cafuçu, Tá com a gota são outras entre tantas troças irreverentes que se misturam a maracatus, bonecos gigantes, escolas de samba e muito frevo durante o carnaval pelas ladeiras estreitas de Olinda. Sem interrupção, sempre com muito humor. MARACATUS E CABOCLINHOSO encontro de maracatus rurais que marca a segunda-feira de carnaval no Espaço Ilumiara Zumbi, na Cidade Tabajara, em Olinda, abriu espaço, ontem, para tribos de caboclinhos, o que deu ainda mais vigor e riqueza de cores, sons e coreografias ao evento. "Nosso compromisso é o de agregar toda a cultura popular", explicou o organizador do encontro e detentor do título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, Manuel Salustiano dos Santos, o Mestre Salu, 62 anos, organizador do encontro que se repete há 18 anos.Com seus cocares de penas de avestruz e de pavão e adereços nos braços e tornozelos, os integrantes dos caboclinhos encantaram com suas evoluções ao som de orquestras compostas de mineiro, gaita, tarol e surdo. As apresentações arrancaram aplausos entusiasmados do público. O Índio Canindé Brasileiro, do município de Itaquitinga, mostrou graça e exuberância. Até o final da noite, desfilariam pelo local 30 caboclinhos e 104 maracatus rurais, vindos da região metropolitana e zona da mata - área canavieira.A força do maracatu rural imperou. Somente o Leão Vencedor, de Carpina, fundado em 1991 pelo mestre João Limoeiro, reuniu mais de 200 integrantes, dos quais 120 caboclos de lança - figura mais famosa do maracatu de baque solto, com suas golas de lantejoulas e cabeleiras de papel celofane que carregam chocalhos sob o surrão que produzem um som característico na medida em que eles se movimentam. Estavam lá tanto maracatus tradicionais, surgidos no início do século 20 - Cambinda de Nazaré, de 1918 foi um deles - como agremiações recém-criadas, a exemplo do Gavião da Mata, de Glória de Goitá, fundado há dois anos. "O maracatu está vivo e também outras brincadeiras e expressões da cultura, tem muita gente jovem infiltrada, levando à frente, garantindo a continuidade", observou Mestre Salu.A maioria dos maracatus que se apresentou na Cidade Tabajara fez um circuito pela região metropolitana e zona da mata - na cidade de Nazaré da Mata também se realizou encontro semelhante.

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