Mulheres buscaram namorada para Bruno

Brasileira viajou a Roma para visitar um dos irmãos italianos, mas não pôde entrar na prisão

, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Os irmãos Torsi eram considerados perigosos pela polícia italiana. Além de pertencerem ao braço de sequestradores da Camorra, também integravam o "grupo de fogo" - nome que designava os matadores da facção. Em meados dos anos 80, Bruno, Renato e o irmão mais velho, Francesco, foram acusados de participar, com outros mafiosos, do assassinato de um rival da facção, conhecido como Bambulella (Bonequinha).Sua morte havia sido encomendada por Paolo Di Lauro, apelidado de Ciruzzo, o Milionário. Bambulella foi morto com tiros de pistolas. Segundo a polícia italiana, o corpo da vítima foi feito em pedaços por Paulo Di Lauro, apontado como um dos poderosos chefões da Camorra, com ajuda de outros assassinos.A polícia italiana obteve essas informações graças às confissões de Pasquale Gatto. Ele também integrava o "grupo de fogo". Gatto e os Torsi eram subordinados a Macaco. O delator revelou que sua participação no crime foi roubar o carro utilizado para transportar os pedaços do corpo de Bambulella. Gatto também confirmou o envolvimento dos irmãos Torsi no crime.Na opinião do chefe do Setor de Extradições da Itália, o apoio de Bruno e Renato às Brigadas Vermelhas no assassinato do vice-chefe da polícia de Nápoles mostra simpatia de mafiosos com grupos de esquerda: "Os dois lados trocam informações táticas de organização e guerrilha. O PCC também pode caminhar para esse lado se se infiltrar com grupos de esquerda", argumentou o italiano.Na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, as mulheres dos líderes do PCC, a pedido de seus maridos, tentaram arrumar uma namorada para Bruno, mas não conseguiram. Essa prática é comum entre os presos no castigo. Quem não recebe visita precisa ter namorada. É a forma de não ficarem trancados na cela nos dias de visita.VISITA FRUSTRADARenato já se relacionava com Ana, moça fina, educada, de olhos castanhos, bonita, magra. Ela tinha curso superior e mantinha os cabelos castanhos sempre com um corte chanel. O casal se conheceu quando ele ainda estava em liberdade. A visita íntima era proibida na prisão em Taubaté. Ana não faltava um dia. Fez amizades com os chefões do PCC e suas mulheres. Em meados dos anos 90, quando os irmãos Torsi foram extraditados, Ana ficou inconformada. Viajou para Roma. Seu sonho de visitar Renato na Penitenciária de Rebibbia terminou em pesadelo. Ela pôde ingressar no país. Mas foi proibida de entrar no presídio. Retornou frustrada ao Brasil.

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