Mulheres de PMs no PA pedem reajuste e relatam carga de trabalho 'desumana'

Manifestações ocorreram em Belém, Altamira e Parauapebas; militares, no entanto, não paralisaram as atividades

Carlos Mendes, Especial para O Estado

10 Fevereiro 2017 | 18h45

BELÉM - A insatisfação dos 15.200 policiais militares do Pará com salários e condições de trabalho saiu de dentro dos quartéis e de suas residências para as ruas. Mulheres, mães e filhos dos militares realizaram manifestação pelas ruas de Belém, Altamira e Parauapebas nesta sexta-feira, 10. Os protestos ocorreram na porta dos quartéis e do Palácio dos Despachos. Tanto na capital como no interior, os militares não paralisaram as atividades.

Nas três cidades, cerca de 200 pessoas reivindicaram a equiparação do salário base do policial com o salário mínimo vigente, além do reajuste salarial com base na inflação, que não acontece há dois anos. Segundo Aline Mendes Campos, uma das organizadoras da manifestação em Belém, também há atraso no pagamento do auxílio fardamento e precariedade no atendimento médico aos policiais pelo plano de saúde do Estado, que chega a levar três meses para liberar um exame. 

A mulher de um sargento afirmou ao Estado que no interior paraense os militares vivem uma situação que "dá pena". Ela informou que nem o auxílio moradia é pago pelo governo, acrescentando que a carga de trabalho "é excessiva e desumana".

O Pará é um dos Estados mais violentos do País e onde mais a população exige a presença na Polícia Militar nas ruas. Ano passado foram registrados 4.196 homicídios com armas de fogo. Em 2017, até o começo de fevereiro, já são 512 mortes violentas.

O governador Simão Jatene (PSDB) está em viagem particular de 15 dias pela Europa e deve retornar no dia 16. Em nota, o governo  diz que mantém "diálogo aberto e permanente para intensificar a política de valorização do servidor público implementada desde 2011". O comunicado oficial não comenta a manifestação, afirmando apenas que o governo concedeu "vários benefícios aos policiais militares em mais de uma dezena de leis, leis complementares, decretos e regulamentações".

Um desses benefícios, ainda de acordo com a nota, é o auxílio-fardamento, no qual, 63% dos 15.200 policiais militares do Pará receberão, "nos contracheques deste mês, dois soldos em vez de um". O soldo será pago a 9.587 soldados e cabos. A remuneração inicial dos praças hoje, incluindo o auxílio alimentação, está em R$ 3.090,00.

 

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