Mulheres descobrem troca na maternidade 36 anos depois

Um exame de DNA confirmou o engano ocorrido há 36 anos na pequena São Fidélis, no norte fluminense. Rosane Meirelles Duarte de Oliveira e Lenilda de Assis Rubin descobriram que foram trocadas na maternidade municipal. Um blecaute no dia em que nasceram teria levado as enfermeiras a trocar os bebês. O erro só foi descoberto agora e aproximou as duas mulheres, de origem humilde. A mãe de Lenilda lhe disse, pouco antes de morrer, que a amava por tê-la criado, mas sempre desconfiou que deixara a verdadeira filha na maternidade. Contou que, ao receber o bebê para ter alta, chegou a argumentar com as enfermeiras que aquela não era sua filha, mas foi convencida de que estava enganada. Lenilda cresceu e as diferenças físicas alimentaram a desconfiança da mãe. Lenilda então espalhou a história pela cidade e não foi difícil chegar a Rosane. "Quando ela entrou na minha casa, levei um susto. Ela é igual aos meus irmãos, muito parecida com os meus pais. Mostrou fotos da família dela e todos se pareciam comigo", contou Rosane, que nunca desconfiou de que não pertencia à família. As duas procuraram a defensoria pública e o caso foi encaminhado ao Programa de Investigação de Paternidade em DNA do Rio em maio. Antes mesmo de receber o resultado do exame, Rosane e Lenilda já comemoravam. No dia 16, fizeram 36 anos e uma festa que reuniu parentes e amigos. Para Rosane, Lenilda virou uma irmã. O único porém está nos pais verdadeiros de Lenilda, que ainda não a reconhecem. Lenilda e Rosane podem processar a prefeitura e pedir indenizações pelo erro. "Acho que não convém mexer mais nisso. Não vai mudar nada, já passou muito tempo", afirma Rosane. Elas também abriram mão do direito de trocar os registros de nascimento. Cada uma vai manter nome e filiação.

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