Mulheres ganham até R$ 500 por ação

Elas lotam as cadeias da região de Mirandópolis; facção não usa familiares para esse tipo de serviço

Josmar Jozino, Jornal da Tarde, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2008 | 00h00

As mulheres contratadas pelo tráfico para levar drogas e celulares aos presídios são chamadas de "pontes". Segundo a Polícia Civil, geralmente, elas ganham de R$ 250 a R$ 500 por telefone ou porção de entorpecente levados para as prisões. Para esse tipo de serviço, os membros do crime organizado não costumam usar parentes.A Cadeia Feminina de Mirandópolis foi interditada em agosto deste ano por determinação do juiz Lucas Gajardoni Fernandes. A prisão, com capacidade para 18 presas, chegou a ter 60, hoje abriga dez e está proibida de receber detentas. As instalações são precárias. As mulheres ficavam amontoadas nas celas e não tinham espaço para o banho de sol.A mesma situação vive a cadeia de Lavínia. A prisão tem 18 vagas, mas abriga 43 presas. Quatro delas deveriam estar em presídio de regime semi-aberto. A maioria das mulheres foi flagrada tentando entrar com drogas nas três penitenciárias de Lavínia. Em Guaraçaí, a cadeia tem 18 vagas, mas mantém 50 detentas. Desse total, 21 são condenadas e oito deveriam estar cumprindo pena no regime semi-aberto.Além das mulheres, os criminosos também contratam advogados para ter acesso principalmente a celulares. Eles são chamados de pombos-correio. Não são pagos apenas para entregar os equipamentos. Também têm, entre outras funções, a de levar e trazer recados dos presos. Outra maneira utilizada pelo crime organizado para a aquisição de drogas ou celulares é a contratação de funcionários corruptos. Agentes penitenciários e diretores já foram flagrados fazendo esse tipo de serviço. Todos foram presos e exonerados do cargo.Os presidiários usam as estratégias mais variadas para driblar a vigilância e equipamentos de segurança nas unidades prisionais. Às vezes, essas ações são descobertas por acaso. Foi o que aconteceu no último dia 28, uma sexta-feira, na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no oeste do Estado, onde cumprem pena os detentos apontados como integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).Os presos da P-2 de Venceslau receberam de presente 800 esfihas feitas por detentos na cozinha da Penitenciária de Presidente Bernardes, distante 40 quilômetros. Os funcionários entregaram os salgadinhos para os presidiários, mas ficaram com pelo menos 30 esfihas. Um agente penitenciário comeu uma esfiha e quase quebrou o dente. Dentro havia um celular. Também foram achados equipamentos em outras três.A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) abriu sindicância para apurar como as esfihas foram recheadas de celulares. Segundo a SAP, por mês são apreendidos, em média, 900 celulares e 3.560 porções de drogas nas prisões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.