J.F.Diorio | ESTADÃO
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Mulheres reafirmam confiança em viajar só

Após morte de turistas, elas se mobilizam para, sozinhas ou não, decidir o próximo destino

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2016 | 03h00

A notícia de que duas turistas argentinas que viajavam juntas foram mortas no Equador no mês passado provocou uma onda de preconceitos e insinuações de que o pior não teria acontecido se elas não estivessem “sozinhas”. Mas o caso de violência não intimidou as mulheres, que se mobilizaram nas redes sociais com a hashtag #viajosozinha e não deixam de planejar viagens para o futuro.

É o caso da comunicadora Gabriela Juns, de 30 anos, que fez a primeira viagem só com mulheres no fim do ano passado e planeja conhecer sozinha a Colômbia neste ano. “Pegamos carona na estrada, fomos sentindo segurança, mas estávamos bastante atentas.” Ela estava com a irmã, a redatora publicitária Jaqueline Juns, de 27 anos, e com a amiga Michelle Coelho, de 25, que é gestora ambiental.

Foi a primeira experiência fora do País de Jaqueline, que acredita que casos de violência contra a mulher em viagens dividem as turistas. “É uma questão de perfil. Hoje, estamos vendo um movimento feminista forte, que vai enfrentar (a situação), mas existe a mulher que fica acanhada”, explica.

Michelle, que fez uma viagem para a Bahia sozinha em 2013 e foi intimidada por homens mais de uma vez, diz que as turistas precisam ter liberdade para sair por aí, com ou sem companhia. “A gente não pode culpar a mulher pelas ações de terceiros. Vivemos em um mundo em que a mulher é um ser livre e esse é um direito dela. Quem tem de fazer essa mudança são os homens e a sociedade.”

A produtora cultural Evelyn Gomes, de 28 anos, ficou um mês viajando com duas amigas pela Índia, país que já registrou casos de estupro de turistas. “Nos assustaram muito em relação a abuso e vimos um coisa completamente diferente. Senti o mesmo risco que sentiria aqui.”

Evelyn já passou três meses sozinha na Argentina e conheceu Cuba com um grupo de mulheres. Ela diz que faz pesquisas antes de viajar. “Tento buscar como é a cultura para me inserir na vestimenta e no comportamento.”

Incentivo. A blogueira Amanda Noventa, de 33 anos, autora do blog Amanda Viaja, hospedado no estadão.com.br, não contabilizou quantas viagens fez sozinha e diz que é uma incentivadora desse tipo de turismo. “Muita gente não tem companhia, porque as pessoas não têm a mesma agenda ou dinheiro. Mas vamos nos trancar até o dia em que será seguro viajar sozinha? Não podemos ceder.”

Só no ano passado, Amanda passou por sete países e diz que mulheres costumam tomar cuidados a mais. “Mas são os mesmos cuidados que tomaria por não estar em um ambiente que conhece.”

Presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens em São Paulo (Abav-SP), Marcos Balsamão recomenda buscar orientações com profissionais da área. “Manter o vínculo de confiança com o seu agente de viagens possibilita antever riscos e adotar medidas preventivas mais adequadas.”

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