Mulheres são 34% dos detidos em cadeia pública

Superlotadas, unidades da Secretaria da Segurança Pública abrigam 3,8 mil presas; Estado promete construir oito penitenciárias femininas

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

11 de janeiro de 2008 | 00h00

As 173 cadeias públicas administradas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo abrigam 11.304 presos, dos quais 3.870 são mulheres. Ou seja, 34% da população carcerária é feminina. No País, porém, elas representam cerca de 5% do total de presos, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), proporção semelhante à dos presídios de São Paulo, subordinados à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), onde há 140.928 detentos, dos quais 6.399 são mulheres (4,5%).Com esse quadro, várias cadeias públicas estão superlotadas. A de Itapevi, por exemplo, que tem capacidade para 24 detentas, abriga 140. Em Mairiporã, há 8 vagas e 51 detentas. A crise provocada pela superlotação levou o Estado a anunciar em 2007 a intenção de construir sete penitenciárias femininas em 2008, com "quase 4 mil vagas". Ontem, a SAP divulgou o projeto de erguer mais uma unidade, com 550 vagas. Cada presídio custará R$ 24,7 milhões.Dos 143 estabelecimentos prisionais de São Paulo, só 10 são para mulheres. Segundo a Assessoria de Imprensa da SSP, "o problema hoje é menos de dinheiro e decisão política, e mais de encontrar, junto às prefeituras, terreno para construir".Coordenadora nacional da Pastoral Carcerária para a questão da mulher presa, Heidi Cerneka avalia que uma das questões mais importantes para elas é a proximidade com os filhos. "A mulher prefere ficar em local superlotado, mas perto da família, para ter a chance de uma visita. O Estado deve oferecer condições adequadas para ela aguardar julgamento ou cumprir pena perto da família." Levantamento feito por Heidi em 2007, em 57 cadeias, mostrou que apenas 3 não estavam superlotadas."O Estado só faz algo quando tem rebelião, porque vai imprensa. Como não há PCC da mulher, elas ficam por lá. Não há lotação em presídio masculino que se compare com os femininos", disse um especialista, que pediu anonimato. "Muitas estão grávidas, sem assistência. Se cometem um deslize, a sociedade cobra delas o triplo", afirmou Conceição Paganele, presidente da Associação de Mães e Amigos da Criança e do Adolescente em Risco (Amar).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.