Multas por radar despencam em SP

Uma das razões é que nem 56% dos aparelhos estão instalados; na zona leste, nenhum dos fixos funciona

Bruno Tavares e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

02 de março de 2009 | 00h00

Em pouco menos de sete meses, o porcentual de multas aplicadas por radares em São Paulo despencou de 51% para 23,3% sobre o total de infrações. Das 312.948 multas computadas em janeiro, 58,3% foram aplicadas pela fiscalização de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e outros 18,4%, por policiais militares. Até junho do ano passado, mais da metade das multas eram aplicadas pela fiscalização eletrônica.A inversão de proporcionalidade no número de multas na capital ocorre quatro meses após entrar em vigor o contrato com as duas empresas incumbidas de instalar 354 novos equipamentos. Mas, segundo dados disponíveis no site da SPTrans, estão em operação hoje na capital 98 barreiras eletrônicas, 87 radares fixos e 13 radares estáticos - 198 aparelhos, ou 55,93% do total previsto para entrar em operação. Ainda existem 108 registradores fotográficos de invasões semafóricas ("caetano") e 33 de faixas exclusivas.Há mais de um ano, no início de fevereiro de 2008, o secretário de Transportes e presidente da CET, Alexandre de Moraes, afirmou em entrevista ao Estado que os 354 aparelhos novos estariam em operação até o final de abril do ano passado. Em junho, a promessa foi adiada para setembro. Agora, a secretaria diz que o fim deste mês é o prazo.O número total de multas também caiu no final de 2008 a níveis semelhantes aos registrados em 2005. Em agosto, foram aplicadas 510.194 infrações, o recorde. Nos dois meses seguintes, foram 409.355 (setembro) e 416.894 (outubro). A partir de novembro, justamente quando a circulação de carros na capital começou a ficar maior por causa do final de ano, o número total de multas caiu para 326.148. No mês com os maiores congestionamentos do ano, em dezembro, foram 357.647 infrações, volume inferior ao registrado no mesmo mês dos três anos anteriores, quando não existia a restrição para caminhões no centro expandido - 360.577 multas (2007), 390.174 (2006) e 369.276 (2005).A queda nas multas por radar ocorre a partir da transição do antigo para o atual contrato, em vigor desde setembro. Mesmo nos locais onde foram instalados novos radares, existem aparelhos que ainda não estão em operação porque precisam ser aferidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Em vias como as pistas locais da Marginal do Tietê e nas Avenidas Sumaré, na zona oeste, e Engenheiro Caetano Álvares, na zona norte, é comum observar câmeras de radares novos que ainda não foram conectadas à caixa de ferro onde está a estrutura eletrônica para a transmissão de dados das infrações. No lote 1 do novo contrato, que inclui toda a zona leste e parte do centro, nenhum radar fixo está em funcionamento. A Consilux, vencedora do lote, informou não ter sido chamada pela Prefeitura para ratificar a assinatura do contrato. CRONOGRAMAA gestão Gilberto Kassab (DEM) ainda não liquidou um centavo dos R$ 18,922 milhões empenhados às empresas Splice e Consilux. A Splice informou ter instalado 98 aparelhos nas ruas. Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a empresa diz estar cumprindo o cronograma estabelecido pelo governo municipal. Sobre o fato de não ter recebido dinheiro do governo pelo contrato assinado no ano passado, a empresa diz que isso ocorre porque os novos radares ainda estão sendo aferidos pela SPTrans.A Consilux, por sua vez, informou que somente o governo municipal poderia falar sobre o funcionamento dos radares.Usado nas grandes cidades brasileiras desde 1994, os radares fixos urbanos ajudaram a reduzir em até 50% o índice de vítimas fatais nos acidentes de trânsito de cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Campinas e Curitiba.EQUIPAMENTOS98 são barreiras eletrônicas87 são radares fixos13 sãoradares estáticos108 são "caetanos" e 33 são aqueles que registram exclusivamente as infrações cometidas em faixas exclusivas

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